P.A.M. – Património, Artes e Museus

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Monthly Archives: Maio 2016

Nova lista indicativa de Portugal ao Património Mundial

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A Casa de Chá da Boa Nova, do arquitecto Álvaro Siza FERNANDO VELUDO/NFACTOS

Comissão Nacional da UNESCO concluiu processo de actualização iniciado em 2014. São agora 22 os bens indicados.

A nova lista indicativa de Portugal ao Património Mundial que ficou concluída esta segunda-feira integra a obra construída do arquitecto Álvaro Siza um pouco por todo o país e a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa – mais concretamente o conjunto constituído pelo edifício-sede (projecto dos arquitectos Ruy Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa) e pelo parque (projecto de António Viana Barreto e de Gonçalo Ribeiro Telles). Também a rota de Fernão de Magalhães, que em 1522 concluiu a primeira viagem de circum-navegação, e os caminhos portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela passam a integrar a lista.

Lisboa, com a Gulbenkian, o Aqueduto das Águas Livres, a Baixa Pombalina (UNESCO) e o núcleo histórico mais marcadamente transfigurado pelos Descobrimentos (“Lisboa Histórica, Cidade Global”, assim o designa a Comissão Nacional da UNESCO), é a cidade com mais indicações nesta lista, que conta agora com 22 itens. Guimarães, que já tem o seu centro histórico classificado, passa agora a ver também indicada a Zona de Couros, e indicações como as do Deserto dos Carmelitas Descalços do Bussaco (juntamente com o conjunto do Palace-Hotel) (UNESCO), as pegadas de dinossauros de Sesimbra e Ourém (UNESCO), as Ilhas Selvagens (UNESCO) e as Levadas da Madeira repetem-se, assim como as da Costa Vicentina (UNESCO), de Vila Viçosa e do Palácio e da Tapada Nacional de Mafra (UNESCO). A paisagem cultural do montado, no Alentejo, o complexo romano de salga e conserva de peixe, em Tróia, o Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, as fortalezas abaluartadas da Raia e a vila de Mértola também estão na lista.

A Comissão Nacional da UNESCO dá assim por terminado o processo, iniciado há dois anos, de actualização da anterior lista, que data de 2004. As listas indicativas, que devem ser aprovadas pelo Comité do Património Mundial da UNESCO, constituem um pré-requisito indispensável para a candidatura a Património Mundial, recorda a nota emitida pelo gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros.

Existem actualmente nas Listas Indicativas de 175 Estados parte um total 1.641 bens que um dia poderão vir a ser inscritos na Lista do Património Mundial. Portugal, com 15 bens inscritos, está entre os 20 países com maior número de classificações.

Lista Indicativa até 2008

Nova Lista Indicativa

  • Aqueduto das Águas Livres
  • Baixa Pombalina de Lisboa
  • Caminhos Portugueses de Peregrinação a Santiago de Compostela
  • Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros (extensão)
  • Complexo Industrial Romano de Salga e Conserva de Peixe em Tróia
  • Conjunto de Obras Arquitetónicas de Alvaro Siza em Portugal
  • Costa Sudoeste
  • Deserto dos Carmelitas Descalços e Conjunto Edificado do Palace-Hotel no Bussaco
  • Dorsal Médio-Atlântica
  • Edifício-sede e Parque da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa
  • Fortalezas Abaluartadas da Raia
  • Icnitos de Dinossáurios da Península Ibérica
  • Ilhas Selvagens
  • Levadas da Madeira
  • Lisboa Histórica, Cidade Global
  • Lugares de Globalização
  • Mértola
  • Montado, Paisagem Cultural
  • Palácio e Tapada Nacionais de Mafra e Jardim do Cerco
  • Rota de Magalhães. Primeira à volta do Mundo
  • Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga
  • Vila Viçosa, Vila ducal renascentista

Antiquário descobre estudo de Vieira Lusitano

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Desenho de vieira lusitano desaparecido há décadas será apresentado pela primeira vez, publicamente, nas belas-artes.

Foi encontrado um estudo para o tecto de uma igreja destruída no terramoto de Lisboa. O desenho descoberto pelo antiquário António Pereira da Trindade e analisado por Victor dos Reis, professor e presidente da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), é da autoria do mais célebre pintor português setecentista, Francisco Vieira de Matos (1699-1783), mais conhecido por Vieira Lusitano. A obra, datada de 1750, é uma encomenda do Rei D. João V para o tecto da antiga Basílica dos Mártires de Lisboa, completamente destruída em 1755.

A igreja foi mandada construir por D. Afonso Henriques para sepultar os cruzados que pereceram na conquista de Lisboa, em 1147, e agradecer a intervenção de Nossa Senhora na batalha pelo domínio da cidade.

Após o incêndio de 1746, que destruiu totalmente a igreja, o então rei Dom João V mandou reconstruir a Basílica pedindo a Vieira Lusitano para fazer a decoração do tecto da igreja, sendo este o estudo para o medalhão central. O trabalho foi concluído em 1750, ano da morte do rei, e destruído 5 anos depois com o Terramoto de 1 de Novembro de 1755, pelo que a obra do grande mestre só pôde ser vista durante um curto período de tempo. Após a reconstrução de Lisboa, a antiga Basílica dos Mártires, situada junto ao Convento de São Francisco no Chiado (actual FBAUL), foi reerguida na Rua Garrett sendo o tecto actual obra de Pedro Alexandrino de Carvalho (1729-1810) respeitando o mote do desenho original que agora se apresenta.

O desenho (sanguínea sobre papel, 63 x 37 cm), referido por diversos autores mas desaparecido há várias décadas, é um dos dois que se conhecem do tecto da igreja; o outro, com as mesmas dimensões, pertenceu à colecção de Frei Manuel do Cenáculo e encontra-se hoje no Museu de Évora. Para o actual proprietário, «este desenho representa um documento histórico de grande relevância para a história da cidade de Lisboa e de Portugal, sendo por isso fundamental que a obra fique disponível para ser vista por todos os portugueses». O proprietário reforça que numa época como a que estamos a viver, «em que muitas peças saem de Portugal para fazer face à actual crise, é importante resistir à venda de obras de arte desta importância.»

Dada a importância da sua descoberta e confirmada quer a autoria, quer o seu tema e propósito, a obra – que tanto pelas diferenças formais como de trajecto histórico relativamente ao desenho de Évora lança uma nova luz sobre um dos mais importantes autores e empreendimentos do Barroco português – será publicamente apresentada na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa no dia 02 de Junho, às 18 horas. A apresentação contará com a presença de Victor dos Reis, presidente da FBAUL e de António Pereira da Trindade, actual proprietário.

Para uma mais ampla compreensão da importância histórica e artística desta descoberta, durante a conferência será feita uma breve apresentação comparativa do desenho de Vieira Lusitano com o seu outro estudo pertencente ao Museu de Évora e com a actual pintura do tecto da Basílica dos Mártires da autoria de Pedro Alexandrino de Carvalho.

Victor dos Reis
Presidente da FBAUL

 

Museu de Auschwitz encontra joias de prisioneiro em fundo falso de caneca

Fonte

JACEK BEDNARCZYK/EPA

O museu de Auschwitz anunciou ter encontrado um anel e um colar de ouro escondidos por um preso no fundo falso de uma caneca, encontrada no antigo campo de concentração nazi.

Mais de 70 anos depois da libertação do campo, no fim da Segunda Guerra Mundial, na Polónia ocupada, os funcionários do campo encontraram as joias numa caneca de esmalte ferrugenta, um de milhares de utensílios de cozinha agora em exibição no museu.

 “Temos muitos achados, mas este é especial pela forma como as jóias foram escondidas”, disse o porta-voz do museu, Pawel Sawicki.

“Não verificámos todos os milhares de utensílios de cozinha… mas conseguimos encontrar as jóias porque o fundo falso se separou da caneca original”, acrescentou.

O colar estava embrulhado num pedaço de pano, juntamente com o anel de mulher.

Sawicki afirmou ser impossível chegar a identificar o dono: “Alguém que acreditou na mentira nazi, usada nas deportações para Auschwitz”.

Muitos deportados trouxeram os seus bens para Auschwitz porque os nazis prometeram realojamento e vidas novas, mas todos os bens pessoais eram retirados à chegada e antes de serem enviados para as câmaras da morte.

“Podemos perceber o medo da pessoa por ter escondido as suas joias. O que significa que sabiam dos roubos. Mas, ao mesmo tempo, também podemos ver a esperança de sobreviver”, disse Sawicki.

Um milhão de judeus europeus morreu entre 1940 e 1945 no campo de Auschwitz, no sul da cidade de Oswiecim.

Mais de 100 mil outras pessoas, incluindo polacos não-judeus, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos e membros da resistência antinazi também morreram em Auschwitz, de acordo com o museu.

No ano passado, no 70.º aniversário da libertação do campo pelas tropas soviéticas, um número recorde de 1,72 milhões de pessoas visitou Auschwitz.

Dia Internacional dos Museus assinalado em Terras de Bouro

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A comunidade mundial de museus vai comemorar o próximo Dia Internacional dos Museus, a 18 de Maio, em torno do tema “Museus e paisagens culturais”.

No sentido de assinalar este importante evento anual que celebra a importância dos museus na sociedade contemporânea, o Município de Terras de Bouro promove a abertura do Núcleo Museológico de Campo do Gerês, no próximo dia 22 de maio, com uma iniciativa de “Portas Abertas”.

O Dia Internacional dos Museus, criado pelo ICOM – Conselho Internacional de Museus, pretende celebrar e dar voz aos museus e ao papel que desempenham na sociedade atual, através da escolha de um tema de reflexão a nível mundial que permita uma discussão alargada e sobre distintos pontos de vista. Este ano esse tema recai na interligação entre museus e paisagens culturais, um tema interessante que certamente será abordado de formas muito diversas pelos museus portugueses.

A celebração da data é feita desde o dia 18 de maio de 1977, por proposta do ICOM – Conselho Internacional de Museus (organismo da UNESCO).

Museu de Lamego mostra FACES de doadores e legatários

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São fisionomias, rostos, perfis, homens e mulheres, anónimos ou célebres, que marcam gestos e se ligam à cidade e ao Museu de Lamego. São doadores e legatários, são faces singulares que se unem na salvaguarda da memória individual e colectiva e que contribuem desde 1917 para o enriquecimento do acervo do Museu de Lamego. FACES é também o título da segunda exposição do centenário da Fundação do Museu (1917-2017). Patente a partir do dia 21 de maio. Entrada livre.

São diversas as procedências e vários os doadores e legatários que, desde a fundação do Museu, têm contribuído para o engrandecimento do seu espólio. É por isso objectivo desta exposição estabelecer, através da selecção de retratos individuais e colectivos, uma ligação entre a identificação, origem e razões da doação.

FACES é, desta forma, o resultado do somatório de proveniências e proprietários, a que se junta o percurso dos objectos, que exprimem a individualidade da oferta e ao mesmo tempo o desejo da posteridade, num museu que mais uma vez se abre à comunidade e a convida a (re)viver a sua própria história, assinalando a importância dos legados e das doações na formação e desenvolvimento das suas colecções.

CartazPatente até Março de 2017 e com curadoria de Nuno Resende, FACES é a segunda exposição que pretende assinalar o centenário da Fundação do Museu de Lamego, numa mostra que é ao mesmo tempo de homenagem e reconhecimento. Mais uma vez, a realização desta exposição apenas é possível graças ao envolvimento mecenático de várias entidades, que assim se associam às comemorações dos 100 anos do Museu: Óptica Parente, GeoDouro, Caixa de Crédito Agrícola – Beira Douro, Casa da Farmácia e Quinta da Pacheca.

Já em 2015, a exposição temporária dedicada à figura do primeiro Director do Museu de Lamego – “O gentilíssimo e talentoso João Amaral (1874-1955)” – marcou o arranque das comemorações.

É possível dar boas notícias num Ministério da Cultura suborçamentado?

Via, Artigo completo

O Ministro da Cultura Luís Filipe Castro Mendes no Parlamento DANIEL ROCHA

Castro Mendes foi ao Parlamento anunciar um director artístico para o São Carlos, um contrato-programa para o D. Maria II e o novo contrato para a agência Lusa. Para a situação mais grave, a da Fundação Côa Parque, ainda não há solução.

Foi uma dança entre a equipa do Ministério da Cultura (MC) e os deputados da oposição. Há um mês no cargo, o novo ministro, Luís Filipe Castro Mendes, e o secretário de Estado, Miguel Honrado, foram pela primeira vez ouvidos no Parlamento, na audição habitual de apresentação na comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, e quiseram levar boas notícias. Os deputados do PSD e do CDS, por sua vez, sublinharam que o actual Governo de António Costa deu menos dinheiro à Cultura do que o da anterior coligação.

O primeiro anúncio do ministro que veio substituir João Soares, que se demitiu no início de Abril, foi que já estão “garantidos fundos de 1,6 milhões de euros” para que a Direcção-Geral das Artes (DGArtes) possa pagar as verbas atribuídas pelos concursos bienais de apoio às estruturas artísticas independentes. E como tudo o que “é programação artística” tem a ver com o secretário de Estado, afirmou o ministro, foi Miguel Honrado a esclarecer mais à frente que “foi preciso corrigir a trajectória dos concursos bienais a meio do processo” e “honrar o financiamento do segundo ano do concurso” a mais de 20 estruturas, que não estava orçamentado. Esse montante foi obtido através de uma descativação orçamental no valor de 800 mil euros autorizada especialmente pelo Ministério das Finanças; o restante veio de verbas do Fundo de Fomento Cultural. A partir de Junho, já tinha dito o ministro no início, vão também poder abrir os concursos para os apoios pontuais da DGArtes.

“É evidente que a DGArtes está reduzida a um organismo cuja missão é apenas a distribuição de financiamentos e já foi uma plataforma de diálogo com o meio [artístico]. Queremos retomar esse perfil de diálogo com o sector cultural de iniciativa não-governamental”, disse o secretário de Estado.

Num dia em que tinha também encontro marcado com o primeiro-ministro na inauguração da nova exposição do Museu Nacional de Arte Antiga, Castro Mendes afirmou também que tinha encontrado uma “solução laboral” para os mais de 100 funcionários dos museus nacionais que arriscavam ver os seus contratos caducados.

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Exposição de Georges Dussad em Sabrosa

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Pitões de Júnias, Georges Dussad

“Portugal” Exposição de Georges Dussad patente até 31 de Julho no Espaço Miguel Torga em S.Martinho da Anta.

Georges Dussad site

Sementeira 2016 – Open Call

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A “Sementeira”, a realizar-se entre 1 e 10 de Julho, é um evento sazonal que “propõe ser o solo fértil e propício à criatividade e produção de cultura em todas as suas vertentes”. As inscrições para a iniciativa decorrem até ao dia 10 de Junho.

Para participar da Sementeira, que terá lugar entre 1 e 10 de Julho, basta preencher o formulário disponibilizado para o efeito (aceder aqui) até dia 10 de Junho. Para actividades não enquadráveis no formulário, deverá ser contactada a organização através do email sementeiraviseu@gmail. Na página de facebook da Sementeira é possível obter mais informações sobre o evento.

Sementeira site

“Travessa do Cotovelo” é o grande vencedor nos XVI Encontros de Cinema de Viana do Castelo

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“Travessa do Cotovelo” é o grande vencedor nos XVI Encontros de Cinema de Viana do Castelo

O documentário Brasileiro “Travessa do Cotovelo”, de Eduardo Cunha e Pedro Cela, é o grande vencedor da 16ª edição dos Encontros de Cinema de Viana do Castelo, arrebatando ambos os prémios PrimeirOlhar e PrimeirOlhar – Cinecubles.

O júri do Prémio PrimeirOlhar, constituído pelos investigadores Raquel Pacheco e Tiago Porteiro e pelo arquitecto Luís Ferro, foi tocado pela beleza do mosaico de imagens e de personagens que representam um tradicional beco no centro de Sobral, Ceará.

O mesmo filme também cativou o júri do Prémio PrimeirOlhar – Cineclubes, atribuído pela Federação Portuguesa de Cineclubes e Federación de Cineclubes de Galicia. O júri era constituído por Elsa Cerqueira, Raquel Moreira e Brais Moure Vila que destaca o filme pelas histórias humanas que surgem naquele lugar do Nordeste Brasileiro.

O júri do Prémio PrimeirOlhar quis também destacar com uma menção honrosa o documentário “Para lá do Marão”, realizado por Pedro Fernandes, no âmbito do Mestrado em Realização Documental da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias/ DocNomads – Masters in Documentary Film Directing / Portugal.

O prémio PrimeirOlhar, que premeia anualmente o melhor filme documental realizado por alunos de escolas Portuguesas, da Galiza e dos Países de Língua Portuguesa, atribuiu aos primeiros classificados em cada uma das categorias um prémio em numerário no valor de 1.000 euros cada.

A competição PrimeirOlhar, que já vai na sua 12ª edição, é uma iniciativa da AO NORTE – Associação de Produção e Animação Audiovisual, promovida no âmbito da programação dos Encontros de Cinema de Viana, com a colaboração da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

O visitante dos museus é jovem, tem formação e procura-os porque a arte lhe dá prazer

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Rubens, Brueghel, Lorrain: A Paisagem Nórdica do Museu do Prado, foi uma das exposições temporárias que marcou a programação do Museu de Arte Antiga em 2014 NUNO FERREIRA SANTOS

Novo estudo abrange 14 museus nacionais. Mostra que mais de metade dos seus visitantes é estrangeira e que há ainda muito a fazer no campo da comunicação. Os funcionários, esses, são imbatíveis.

A Direcção-Geral do Património Cultural juntou-se ao Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa para fazer um Estudo de Públicos dos Museus Nacionais, cujos primeiros resultados foram apresentados esta segunda-feira ao início da tarde, em Lisboa.

E o retrato-robot do visitante dos museus nacionais – o termo técnico é “perfil social predominante” – aponta para uma pessoa relativamente jovem (média de idades é de 41 anos no público nacional, 43 no estrangeiro), qualificada em termos de escolaridade e de ocupação profissional, que vai ao museu pelos mais diversos motivos e, geralmente, uma vez só (oito em cada dez são estreantes).

“Estes dados mostram-nos que o visitante, que procura saber mais, mas que entra também para conhecer melhor a diversidade cultural ou simplesmente porque isso lhe dá prazer, conhece muitos museus nacionais, mas geralmente só os visita uma vez”, explicou ao PÚBLICO o coordenador do estudo, José Soares Neves, apontando como área onde existe “uma margem de progressão muitíssimo grande” a da comunicação e como sector onde há “espaço para melhorias” o das exposições temporárias.

“Quando dizemos que um em cada quatro visitantes estrangeiros é francês ficamos com a ideia de que o francês como língua deve voltar aos suportes de informação dos museus”, explica o coordenador, “mas quando verificamos que o inglês das legendas, por exemplo, que devia ser regra, ainda não existe em todos, percebemos que há ainda muito a fazer na uniformização das práticas”. E isto sem falar no público italiano e alemão, que começa a ser já “bastante significativo”, e que “podia ter outro tipo de atenção em brochuras e audioguias”.

O objectivo do estudo é caracterizar o público dos 14 museus geridos pelo Ministério da Cultura através da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), desenhando o perfil global do visitante. Isto para que, com esta informação nas mãos, o governo e os serviços técnicos possam definir estratégias para uma maior captação e fidelização dos públicos, concebendo políticas que possam garantir um maior e melhor acesso das pessoas às colecções dos museus nacionais.

Aos jornalistas, no final da sessão de apresentação, o ministro da Cultura garantiu que não tenciona guardar na gaveta este estudo, cujos resultados finais, museu a museu, deverão ser conhecidos até ao final de 2017. Dizendo que um dos seus objectivos programáticos é a revitalização da Rede Portuguesa de Museus (RPM), composta por 146 entidades com tutelas variadas, Luís Filipe Castro Mendes defendeu que nada melhor do que começar pelos da casa. “Olhando para este estudo percebemos que a gratuitidade [o primeiro domingo de cada mês] é importante, mas que é preciso comunicar melhor os descontos” para que todos compreendam que eles não se limitam a um dia por mês, disse o ministro, lembrando que muitos desempregados, por exemplo, não sabem que podem entrar nos museus da DGPC sem pagar sempre que quiserem. “Isto é fundamental porque os museus podem e dever ser espaços sem barreiras sociais.”

37% dos visitantes planeiam já a sua ida ao museu em função do livre acesso, embora a maioria (42%) o faça sem restrições. “De qualquer forma, estes dados são muitíssimo relevantes na hora de definir políticas públicas”, diz o investigador José Soares Neves.

Funcionários no topo

O estudo foi feito ao longo de um ano nos 14 museus (dez da Área Metropolitana de Lisboa, três do Centro e um do Norte), com base em quase 14 mil questionários validados (47% portugueses, 53% estrangeiros). As pessoas – todas com 15 ou mais anos – responderam ao questionário on-linenos computadores que foram postos à disposição no final de cada percurso de visita. As perguntas que dele constavam estavam orientadas para avaliar, por exemplo, a relação do visitante com a exposição e a notoriedade dos museus afectos à DGPC, dando espaço à recolha de opiniões e sugestões para melhorar a experiência que determinado equipamento oferece ao público.

Em 2015, estes museus atraíram um total de 1,2 milhões de pessoas, número que inclui as com menos de 15 anos, que fazem com que, no universo global e não apenas no universo do inquérito, sejam ainda mais os portugueses do que os estrangeiros a visitá-los (640 mil os primeiros, 591 mil os segundos).

Os resultados agora apresentados são uma primeira síntese global do inquérito de públicos e permitem dizer, por exemplo, que a avaliação que os visitantes fazem dos museus é bastante positiva (o grau de satisfação geral é de 96,7%), com quase metade a acharem que correspondeu ao esperado e 32% a defenderem que ficaram acima das expectativas (para 12% ficaram muito acima, para 6% dos portugueses e 8% dos estrangeiros ficaram àquem do esperado). Mais de metade, aliás, recomendaria a visita a amigos e colegas.

No topo da lista dos pontos fortes dos museus nacionais está o acolhimento dos que neles trabalham (98%), algo que não passou despercebido ao ministro da Cultura: “O que me agrada nos museus portugueses é a dedicação dos seus funcionários […]”, disse, salientando que gostaria de ver estes equipamentos produzir “mais publicações”, “mais informação” e generalizar o uso da língua francesa. Isto porque, no universo de estrangeiros que respondeu ao questionário (53%, 72% dos quais europeus), o peso dos visitantes franceses é muitíssimo significativo: um em cada quatro, com a França claramente à frente seguida de um pelotão liderado por países como o Brasil, a Espanha, a Itália, o Reino Unido e os Estados Unidos. E com o Brasil a assegurar a quase totalidade dos visitantes dos países que falam português: 95%.

Entre os visitantes, 37% manifestam intenção de voltar ao museu durante o ano seguinte, embora pese muito a proximidade geográfica na hora de decidir: 68% dos nacionais garantem regressar, contra 32% dos estrangeiros. E o principal motivo evocado para o regresso é o das novas exposições (65%).

Nesta matéria, e atendendo a que os directores dos museus têm vindo a alertar nos últimos anos para a inexistência de verbas para programação, procurando, sempre que possível, recorrer a mecenas ou a parceiros privados, a directora-geral do Património, Paula Araújo da Silva, avançou uma solução – fazer exposições temporárias de grande qualidade que possam ser prolongadas no tempo. “Em vez de durarem um mês, passam a durar três ou quatro. É uma maneira de contornar as dificuldades financeiras”, disse ao PÚBLICO.

“Num contexto de escassez, como o que vivemos, acredito que seja difícil manter um ritmo constante de exposições temporárias, mas elas são importantíssimas para levar o público nacional a regressar a um museu que já conhece”, acrescentou o coordenador do estudo, prevendo que, quando se analisarem os dados museu a museu, será notório o impacto que as temporárias têm nos visitantes.

O caso de Arte Antiga

Um dos equipamentos deste universo de 14 que mais têm apostado em exposições temporárias de grande visibilidade é o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), que registou um decréscimo assinalável de públicos de 2014 para 2015 (menos 26%, dos 221 mil para os 164 mil) e que tem na calha uma muito aguardada ampliação. Falando sobre ela, Castro Mendes disse que os terrenos necessários ao seu crescimento foram já comprados pela Câmara de Lisboa e que “falta agora estudar e orçamentar a ampliação”.

O ministro não ficou o tempo suficiente para reagir a outra reivindicação do director de Arte Antiga. Numa conversa recente com o Diário de Notícias, António Filipe Pimentel voltou a reclamar um “novo estatuto jurídico para o MNAA quanto antes”, capaz de lhe dar mais autonomia, por exemplo, nas tomadas de decisão e na gestão das receitas próprias. Foi a directora-geral quem falou sobre um eventual regime especial para Arte Antiga e sobre os argumentos do seu director: “São observações inteligentes, feitas por uma pessoa inteligente que tem feito um excelente trabalho. Está tudo em discussão. Não há conclusões.”

O estudo agora apresentado, “que conheceu três directores-gerais”, lembrou Fernando Nogueira, presidente da Fundação Millennium BCP, um dos mecenas do projecto (o outro é a empresa de telecomunicações ONI), não ficará por aqui, já que a sua matriz poderá vir a ser aplicada às 146 entidades que integram a Rede Portuguesa de Museus, vindo ainda a ser aprofundada nos 14 museus agora abrangidos. Nesse sentido, está a decorrer a terceira e última fase deste projecto em que se fará a análise e tratamento detalhado (no global e museu a museu) dos dados até aqui recolhidos. Os resultados finais serão apresentados até ao final de 2017.

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