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Morreu David Bowie, um dos maiores ícones da cultura popular

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Bowie em 1983RALPH GATTI/AFP

Músico britânico tinha 69 anos. A sua influência está em todo o lado, na música, na cultura visual, na moda, nos estilos de vida. Morreu uma lenda.

O choque. A morte é-o sempre. Mas tinha acabado de lançar novo álbum, na última sexta, dia do seu aniversário, que parecia um recomeço e ninguém sabia da sua doença. O mistério e a surpresa sempre fizeram parte dele. Mas esta era a notícia que ninguém desejava.

O músico britânico David Bowie, uma das maiores celebridades da cultura popular, morreu nesta madrugada, aos 69 anos, de cancro. A notícia foi divulgada na sua página oficial do Facebook e do Twitter. O seu publicista, Steve Martin, confirmou a morte ao canal Sky News.

“10 de Janeiro de 2016: David Bowie morreu tranquilamente hoje, rodeado pela sua família, após uma corajosa batalha contra o cancro durante 18 meses”, refere a nota publicada nas redes sociais, cerca das 6h30 desta segunda-feira.

“Muitos de vós partilham esta perda, mas pedimos que respeitem a privacidade da família durante o tempo de luto”, completa a nota. O músico tinha acabado de lançar um novo álbum, Blackstar, bem acolhido pela crítica. No PÚBLICO, descrevemos o seu o novo álbum como sendo inspirado pelo jazz e como um álbum ousado.

No recente videoclipe para a canção Lazarus, realizado por Johan Renck, surgia de corpo magro e envelhecido, deitado numa cama de hospital. É natural que se façam agora alusões de que seria uma espécie de carta de despedida, mas todos os que privaram com ele nos últimos tempos e que fizeram declarações públicas – do produtor Tony Visconti ao saxofonista Donny McCaslin – sugeriam que estaria em grande forma.

Já esta segunda-feira, Tony Visconti, seu colaborador desde os anos 1960, publicou no Facebook que “a sua morte  foi como a sua vida – uma obra de arte”, dando a entender que sabia desde há um ano a esta parte que a sua morte seria uma questão de tempo. “Ele fez sempre o que quis”, escreveu. “Queria fazer as coisas à sua maneira e da melhor forma. A sua morte foi como a sua vida – uma obra de arte. Fez Blackstar para nós, como prenda de despedida. Há um ano que eu sabia que ia ser assim. No entanto, não estava preparado. Era um homem extraordinário, cheio de amor e vida. Estará sempre connosco. Por enquanto, o que há a fazer é chorar.”

Em 2013 surpreendeu o mundo, regressando ao activo. Há dez anos que não lançava qualquer álbum novo e desde 2006 que não dava concertos. As aparições públicas também rarearam. Até o seu último biógrafo, o jornalista inglês Paul Trynka, que havia escrito um ano antes o livro Starman – The Definitive Biography (2012) ficou boquiaberto com o regresso a 8 de Janeiro de 2013, no dia em que completou 66 anos, mostrando ao mundo uma nova canção, Where are we now?, e dois meses depois o álbum The Next Day, dez anos depois do último lançamento.

Na altura, em conversa com Trynka, este dizia-nos que havia sido uma surpresa enorme “porque conseguiu gravar um álbum em segredo total”, acrescentando que o impacto do seu regresso era justificado “porque teve uma influência tão grande sobre o som e a imagem da música actual que o seu desaparecimento havia deixado um grande vazio.”

Durante dois anos gravou esse disco, sem que ninguém soubesse, depois de muitas especulações sobre a sua saúde. É verdade que durante esse tempo não esteve ausente por completo (surgiu em palco ao lado dos Arcade Fire, David Gilmour e Alicia Keys e colaborou pontualmente com TV On The Radio, Scarlett Johansson ou Kashmir), mas parecia ter-se remetido à condição de pai de família, levando uma vida tranquila em Nova Iorque, ao lado da mulher, a ex-modelo Íman, e da filha de 15 anos de ambos, Alexandria. Afinal, não.

O ano de 2013 foi o do seu grande regresso. Para além do álbum, houve também uma grande exposição no museu Victoria & Albert de Londres, que nos dava a ver a sua carreira nas mais diversas dimensões. A mostra centrava-se sobre as suas múltiplas identidades e sobre a sua influência na música, nas ideias, na cultura visual e nos comportamentos, desde os anos 1960 ao presente, constando de roupas, fotos, extractos de filmes ou manuscritos inéditos.

Num tempo de cultura fragmentária, onde os artistas comunicam cada vez mais para audiências estilhaçadas, ele acaba ser uma das últimas celebridades de alcance global. “Ele é provavelmente a última estrela global da sua época” dizia-nos Paul Trynka, “e nesse sentido acaba por reflectir uma certa nostalgia pelo tempo em que isso era possível. Por outro lado é uma celebridade atípica, alguém suficientemente ambíguo que se expôs muito, mas que manteve sempre uma certa distância, um mistério, uma mística, que leva as pessoas a desejarem querer saber mais, ouvir mais, estar mais próximas.”

Era alguém que tinha um grande conhecimento das dinâmicas culturais, das mais massificadas às marginais. Fascinava-o o conceito de celebridade, como algumas canções (Starman, Andy Warhol, Star, The prettiest day) ou as palavras de Heroes (“we can be heroes / just for one day”) acabavam por reflectir. No álbum de 2013 havia também  Stars (are out tonight), mais outra auto-reflexão sobre o culto das celebridades com Bowie a olhar-se ao espelho.

“Ele é um descendente directo e linear de Andy Warhol” dizia ao PÚBLICO o curador da retrospectiva do museu Victoria & Albert, o inglês Geoffrey Marsh, em 2013, mostrando que há uma frase do poeta William Blake que o parece explicar na perfeição: “alguém que não teve um predecessor, que não vive a par dos seus contemporâneos e não pode ser substituído por qualquer sucessor.” Ou seja, uma personagem única.

Desde os anos 1960 foi Ziggy Stardust, Aladdin Sane ou Thin White Duke. Foi mod, hippie ou glam-rocker. Augurou o punk, inspirou-se na electrónica alemã nos anos 1970, beneficiou da euforia provocava pela MTV nos anos 1980 e juntou-se à vaga dançante nos anos 1990.

Em 2004 foi submetido a uma angioplastia de urgência, o que levou ao cancelamento da Reality Tour, a poucos dias da passagem pelo Porto – naquela que seria a terceira presença em Portugal, depois da estreia no estádio de Alvalade em 1990 durante a digressão Sound + Vision e de um concerto em 1996, no festival Super Bock Super Rock, em Lisboa.

Era o mestre da reinvenção. Tornou-se um cliché dizer-se que era um camaleão, alguém que mudava de pele em cada novo álbum. Mas a verdade é que David Robert Jones, seu verdadeiro nome, surpreendeu inúmeras vezes, sugerindo novos conceitos, novas personagens, novas roupagens, influenciando a cultura musical das últimas décadas, mas também o imaginário visual e os estilos de vida de inúmeras gerações.

Nasceu a 8 de Janeiro de 1947, em Londres. Os pais chamaram-lhe David Jones, nome que o músico viria a mudar 19 anos mais tarde, em 1966, devido ao êxito alcançado por um outro David Jones – o dos Monkees. No ano seguinte, lançou o primeiro disco: David Bowie.

Mas a sua carreira começou antes. Foi em 1962, no contexto dos Kon-Rads, onde surgia nas fotos de saxofone na mão – o seu instrumento preferido – que se estreou, no mesmo ano em que os Beatles lançaram Love me do. A discografia viria a ser longa: 26 álbuns de estúdio (dois dos quais com os Tin Machine), nove álbuns ao vivo e três bandas-sonoras. E mais uma mão-cheia de EPs e mais de uma centena de singles.

Space Oddity (1969) e The Man Who Sold the World (1970) prepararam o caminho para o sucesso que foi Hunky Dory (1971), o seu primeiro álbum de platina no Reino Unido, e The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972), um dos picos criativos do inglês.

Com estes dois últimos discos começaria a sua relação com a RCA, que durou toda a década de 1970 e que logo a seguir deu mais frutos, com a estreia no número um do top britânico com Aladdin Sane, Pin Ups (ambos de 1973), eDiamond Dogs (1974), onde preconizava a revolução punk que estava à porta. Uma outra sua pele, o Thin White Duke, acaba por surgir com Station To Station (1976).

Em 1977 dá início à Trilogia de Berlim. Três álbuns gravados na capital alemã com Brian Eno ao leme: Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979). Influências futuras da new wave e do pós-punk, os trabalhos causaram estranheza na altura, mas não tanto como a que promoveria nos anos 1980, primeiro com Scary Monsters  (1980) e depois com Let’s Dance (1983), grande êxito mundial para o qual alguns fãs ainda olham com desconfiança, com assinatura de Nile Rodgers (Chic) na produção.

O epíteto “camaleão do rock” ganhava substância. Bowie era capaz de se reinventar como neo-romântico e animador das pistas de dança. Para trás ficava uma década de experiências artísticas e pessoais. Em 1980, terminava o casamento com Angie. Juntos tiveram um filho: Duncan Jones, mais tarde realizador de Moon: O Outro Lado da Lua.

Under Pressure, o single que gravou em 1981 com os Queen, ajudou a cimentá-lo como uma celebridade em todo o planeta. Ao longo da década, trabalhou ainda com Iggy Pop, Mick Jagger ou Tina Turner.

Em paralelo continuava a sua carreira como actor, tanto no cinema como no teatro. A crítica reparou nele em Absolute Beginners (Julien Temple, 1986), e não gostou. Participou ainda em Fome de Viver (John Blaylock, 1983), Merry Christmas, Mr. Lawrence (Nagisa Oshima, 1983), A Última Tentação de Cristo (Martin Scorsese, 1988), Twin Peaks (David Lynch, 1992), Basquiat(Julian Schnabel, 1996) ou O Terceiro Passo (Christopher Nolan, 2006).

Morreu Paulo Cunha e Silva, “o melhor vereador da Cultura do país”

Via, Galeria fotográfica , , , , e

Cunha e Silva comissariou o projecto O castelo em 3 actos – Assalto ao Castelo para a Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura LARA JACINTO/NFACTOS

Viver depressa, mobilizar pessoas de diferentes áreas, fazer as coisas acontecerem e marcar a agenda cultural e mediática. Era este o programa de vida e de acção de Paulo Cunha e Silva (1962-2015). O facto de o fazer, muitas vezes, até à exaustão física poderá ter contribuído para um desfecho tão dramático quanto inesperado: morreu na madrugada de terça para quarta-feira na sua casa em Matosinhos, vítima de um enfarte do miocárdio agudo. Tinha 53 anos.

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Morreu o pintor português António Costa Pinheiro

Via

António Costa Pimheiro

O artista plástico António Costa Pinheiro, um dos fundadores, em 1958, do grupo KWY, morreu na sexta-feira, na Alemanha, vítima de pneumonia, disse hoje à Lusa o galerista português Mário Roque.

De acordo com o galerista, que cita informações da mulher do pintor, o corpo de António Costa Pinheiro deverá ser cremado na segunda-feira, na Alemanha, e, mais tarde, as cinzas deverão ser depositadas, a pedido do próprio, em Quelfes (Olhão), onde o pintor tinha casa.

Fernando Pessoa – Heterónimo, 1978, óleo sobre tela, 150 x 200 cm

“Costa Pinheiro, o pintor ele-mesmo” é o título da exposição sobre o artista plástico, patente na Galeria S. Roque, em Lisboa, que faz uma retrospectiva da obra do artista, desde os primeiros anos na Alemanha.

Com 82 trabalhos em tela e em papel — 70 de catálogo e 12 fora de catálogo — a mostra percorre, sobretudo, o trabalho do artista plástico entre 1955 e 1985 e está patente até 31 de Dezembro.

António Costa Pinheiro nasceu em Moura, em 1932, e fixou-se com os pais, em Lisboa, aos 10 anos, tendo frequentado o Liceu Camões, e a Escola de Artes Decorativas António Arroio, seguindo-se, mais tarde, a Academia de Belas Artes de Munique, na Alemanha.

A primeira exposição individual de António Costa Pinheiro realizou-se em Lisboa, em 1956, na Galeria Pórtico.

Nessa altura, acompanhava um núcleo de artistas mais velhos, entre os quais se destacavam Fernando Lemos, de raiz modernista, e Fernando Azevedo e Vespeira, do Grupo Surrealista de Lisboa.

A partida para a Alemanha, em 1957, verificou-se depois do serviço militar, juntando-se em Munique a René Bertholo e Lourdes Castro, com quem expôs na Galeria 17 e na Internationales Haus.

Foi já na Alemanha que cofundou o grupo KWY, com René Bertholo, Lourdes Castro, João Vieira, José Escada, Gonçalo Duarte, Jan Voss e Christo.

As três letras que, à data, não integravam o alfabeto português, KWY, foram aproveitadas pelos artistas para a composição da frase irónica “ká wamos yndo”.

É deste período, aliás, “o grosso dos trabalhos” agora patentes em Lisboa, como disse à Lusa Mário Roque.

Organizada pelo galerista, em colaboração com o artista plástico, a sua mulher, Katrin — a quem o pintor fazia questão de chamar Catarina -, e os dois filhos de ambos, a mostra tem curadoria de Bernardo Pinto de Almeida, que considerou a obra do pintor “uma das mais corajosas, coerentes e lúcidas da segunda metade do século artístico e cultural português”, como escreveu na monografia dedicada ao artista, publicada pela Caminho, em 2005.

Expostas na Galeria S. Roque estão também, segundo o galerista, telas da fase “Citymobil” — que sucede à fase dos “Reis” — e na qual o pintor construiu maquetas de uma cidade imaginária, que expôs na Alemanha assim como numa retrospectiva na Fundação Calouste Gulbenkian.

Uma das últimas intervenções de Costa Pinheiro em espaço público, em Portugal, foi na estação de Metro da Alameda, em Lisboa, com painéis de azulejo sob o tema “Os descobridores”.

Entre os seus trabalhos destacam-se igualmente os painéis dedicados a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos.

No início da década de 1960, quando era bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, participou na exposição do grupo KWY na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, apontada por historiadores de arte portuguesa como um dos marcos do “início dos anos 60” em Portugal.

Em 2001, o grupo KWY foi novamente alvo de retrospetiva, numa exposição do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

Em 1961, o pintor regressou a Lisboa, onde chegou a estar detido em Caxias, pela polícia política da ditadura, por ter assinado um papel enviado ao Presidente da República, Américo Tomás, na sequência do assassínio do pintor José Dias Coelho, pela PIDE, em 1961.

Em 1963 voltou a Munique e foi na cidade da Baviera que expôs individualmente, com base regular, na Galeria Leonhart.

Em 1967, recebeu o prémio de pintura — Förderpreis – da Cidade de Munique.

São de meados da década de 1960 os retratos imaginários que António Costa Pinheiro faz dos Reis de Portugal e com os quais obteve enorme êxito.

De 1967 e 1973, interrompeu a atividade artística, chegando mesmo a empregar-se como barman, e, ainda que nunca tenha deixado de pintar, afastou-se das galerias.

Costa Pinheiro expôs em diferentes instituições internacionais, entre as quais a Galeria Kunst + Kommunikation, em Munique, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e a Casa de Serralves, no Porto.

Recebeu, entre outros, o Prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte, o Prémio da Fundação E. Reuter, na Alemanha, os prémios de gravura da Bienal de Cerveira e Intergrafik, de Berlim, e o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso.

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Morreu José Vilhena, o sátiro cartoonista da Gaiola Aberta

Via / 

Escritor, cartoonista e pintor, José Vilhena foi o grande sátiro da condição portuguesa, em ditadura e em liberdade, sem poupar nos alvos e com gosto declarado pelo erotismo. Morreu este sábado, aos 88 anos.

Cartoonista, humorista, escritor e pintor. Quatro condições interligadas na vida e obra de um homem que, desde a década de 1950, se dedicou a satirizar, sem poupar ninguém, dos poderosos ao povo oprimido, a realidade política e social do país em que nasceu. Antes da Revolução de Abril viveu com a censura à perna de forma quase ininterrupta, ou não tivesse assinado quase seis dezenas de livros, todos censurados, todos vendidos ao seu público fiel por baixo da mesa nas tabacarias.

Onze dias depois do 25 de Abril de 1974, começou a fazer a sua cronologia da revolução em Gaiola Aberta, o seu título mais célebre. “One man show”, trabalhador verdadeiramente independente que se responsabilizava sozinho por todo o processo de elaboração e produção dos seus livros e revistas, José Vilhena, nome incontornável do humor português, na linha de um Bordalo Pinheiro, mas contemporâneo da libertação sexual das décadas de 1960-70 (e notava-se muito, ou não fosse o corpo feminino presença constante na sua obra), morreu este sábado, aos 88 anos, vítima de “doença prolongada”, como se lê no site O incorrigível e manhoso Vilhena (www.vilhena.me), gerido pelo seu sobrinho Luís Vilhena.

Vitor Silva Tavares, o último dos rebeldes

ViaJoana Emídio Marques
Não era apenas a alma da subterrânea &etc, era o mais temível e respeitado editor português, porque era o único que fazia dos livros que editava um ato de resistência e de poesia.

Quem quer que tenha conhecido Vítor Silva Tavares, falecido segunda-feira, dia 21, sabe que todas as palavras que se tentem dizer sobre ele serão sempre insuficientes e, talvez mesmo, inúteis. Pois não há uma só que lhe faça justiça, não há uma palavra que possa traduzir o festim da sua inteligência, da sua ironia, da sua força ética, da sua expressão de miúdo rebelde, que por opção nunca trocou as ruas pelos palacetes.

Pior: sabemos que onde quer que seja o inferno que agora partilha com Luiz Pacheco e com Herberto Hélder, ele há-de estar a ler este texto e a rasurá-lo com comentários impiedosos, e boutades cheias de referências literárias.

Como escrever sem ser circense, sem empolamentos ou falsos romantismos sobre um homem que odiava a feira de vaidades em que o mundo se tornou? Alberto Pimenta, poeta e amigo, dá uma sugestão: “Vamos falar sobre o quão bom cozinheiro ele é, não consigo falar dele no passado. As melhores coisas que comi na vida foram feitas por ele. Era um artista na cozinha como o era a fazer livros, por isso deixou-nos uma obra que é um monumento. Não, ele não era editor. Ele era um edificador de um grande monumento feito de pensamentos que se tornaram acções. E a sua grande acção neste mundo foi fazer livros.”

Mas quem era, afinal, este homem, perfeitamente desconhecido para a maioria dos portugueses, e que após a sua morte chegou a todos os jornais? Era tão somente o maior editor de livros do mundo. Do mundo? Alberto Pimenta confirma: do mundo.

 &etc, a arte de ser sempre um editor subterrâneo

O livro de antonin Artaud que a bertrand tinha vergonha de vender (imagem em:ignorância.blogspot)

O livro de Antonin Artaud que a Bertrand tinha vergonha de vender

“Quando publiquei  A Cona de Irene, de Louis Aragon, pedi a um rapaz que colaborava aqui comigo que fosse ali à livraria Bertrand ver se queriam alguns exemplares para pôr à venda. Resposta do director: ‘Pensas que isto aqui é uma casa de putas?’ Indignada, a minha boa amiga Luiza Neto Jorge pegou ao colo o seu filho ainda bebé e voltou lá. Pediu para falar com o director da loja e, enquanto embalava a criança, disse-lhe com voz cândida: ‘Queria o livro A Cona de Irene, têm?’; ‘Não, não temos, mas vou já encomendar’, respondeu logo ele todo solícito.”

Este é apenas um dos muitos episódios que fazem a história da &etc, a única editora que teve livros apreendidos e queimados em pleno tribunal da Boa Hora no pós-25 de Abril.

O caso da apreensão deu-se em 1980, após a publicação de O Bispo de Beja, um velho opúsculo que tinha servido para propaganda republicana no início do século XX. Era um poema satírico que envolvia um bispo de Beja, acusado de homossexualidade, que gerou a fúria da população. Setenta anos depois, um padre de Beja, como que sentindo-se na obrigação de vingar o tal bispo, fez uma denúncia contra a editora e, pasme-se, o processo chegou mesmo a tribunal, acabando os exemplares apreendidos regados a gasolina no pátio da Boa Hora. Quando tudo terminou, Vitor Silva Tavares fez o que lhe competia: reeditou o livro com uma capa ainda mais satírica do que a anterior.

A reedição do livro queimado no tribunal da Boa Hora, em 1980

A reedição do livro queimado no tribunal da Boa Hora, em 1980

Mas os livros da &etc não tinham só um propósito de provocação fácil. Cada um deles, lembra Alberto Pimenta, “é uma casa pensada desde as fundações até ao tecto, é uma casa pensada para ser única”. Por isso, nesta editora a forma e o conteúdo dos livros era inseparável. Para não se submeter à ditadura do livro retangular, Silva Tavares inventou o “falso quadrado” que acabou por se tornar uma das imagens de marca da editora. Dentro deste “falso quadrado” há um quadrado verdadeiro, e é dentro destas proporções perfeitamente harmoniosas que toda a literatura acontece.

Durante mais de 40 anos — a marca &etc surge em 1967 como suplemento de artes e letras do Jornal do Fundão, evolui em 1973 para revista autónoma, até se transformar, um ano depois, em editora –, a singular &etc publicou poesia, ficções, ensaios surrealistas, modernistas, futuristas, dissidentes, iconoclastas, rebeldes com e sem causa, gente que precisava de um motivo para viver.

A lista de autores é enorme e congrega grandes e inquestionáveis artistas mas também os seus detratores. A Vitor interessava sobretudo a liberdade e a inteligência intrínsecas a cada texto. Não havia dogmas, nem intocáveis. Tal como não havia reedições de nenhum dos livros publicados. O objectivo da &etc não era ganhar dinheiro, pelo contrário, era resistir a uma sociedade comandada pelo desejo de lucro.

Cobra, um dos livros mais famosos de Herberto Helder, 1977

“Cobra”, um dos livros mais famosos de Herberto Helder, de 1977 , cuja edição vale hoje muitas centenas de euros

Hoje, quando se olha para o catálogo da editora, certamente o mais luxuoso da literatura portuguesa, vemos autores fundamentais para a história do século XX que só conheceram tradução e edição em Portugal, porque existia por cá este senhor, que até nem queria ser editor, que até nem gostava que lhe chamassem editor, porque a sua grande paixão sempre foi o cinema.

O mundo criado por Silva Tavares numa cave da Rua da Emenda está deliciosamente retratado neste pequeno documentário de Cláudia Clemente. E era habitada por outras figuras tão marginais quanto fascinantes, como Luiz Pacheco, Herberto, Adília Lopes, Alberto Pimenta, Manuel João Vieira…

Um herói muito discreto

Talvez Vítor Silva Tavares esteja agora a cuspir impropérios ao romantismo deste pós-titulo. Mas a verdade é que neste século XXI, onde o epíteto de “maldito” passou a ser só mais um um ideal estético de jovens entediados, a coisa mais insultuosa que encontrámos para o descrever foi mesmo a palavra “herói”.

Nascido na Madragoa em 1937, filho da cidade pobre, foi educado por uma avó analfabeta, mas que, percebendo a inteligência ímpar do rapaz, arranjou maneira de o pôr a estudar. Aos 6 anos escreveu o primeiro poema de amor para uma vizinha, aos 16 foi expulso do liceu por insultar um professor. Deixou a escola mas nunca deixou a cultura, os livros, a paixão pelas artes.

Trabalhou com Almada Negreiros na construção de cenários para teatro, foi jornalista em Angola e um dos primeiros a denunciar a escravatura encapotada que se escondia sob o “imposto indígena”. Em 1961 (ano dos massacres que deram origem à guerra em Angola), esta denúncia do regime esclavagista praticado sobre os negros faz com que Silva Tavares seja raptado e quase assassinado por colonos brancos. Mas a sua história como jornalista começara anos antes, como ele contou à  revista brasileira K, Jornal da Crítica.

A minha estreia nos jornais foi da seguinte maneira: um jornal daqui de Lisboa, chamado Jornal do Comércio, abriu um concurso literário a que chamou “A oportunidade 202”. Quem ganhasse o prémio, além da publicação no jornal, recebia 202 escudos. Resolvi concorrer. Só que, em vez de mandar poesia, conto, enfim, literatura de ficção, mandei uma reportagem sobre pequenos delitos. Ali onde agora está a Biblioteca Camões funcionava o Tribunal dos Pequenos Delitos. Fiz uma reportagem sobre um dia de trabalho nesse tribunal. Escusado será dizer que ganhei os 202 escudos. Mais do que isso: ligaram do jornal para perguntar à minha mãe que idade eu tinha e se eu era bom estudante, ao que ela respondeu: “Não, é um vadio.” Quando publicaram o texto, fizeram uma pequena nota que revelava a minha idade (15, 16 anos), me aconselhava a prosseguir nos estudos e me dizia para não esquecer que eu tinha uma caneta de ouro. Abriram-me então espaço para eu continuar a escrever.”

Quando regressa a Portugal continua a escrever sobretudo crítica de cinema, na Flama e noDiário de Lisboa. É convidado para dirigir a Ulisseia, mas é com José Cardoso Pires, um dos seus mentores, que Vitor vai fazer o suplemento de artes e letras do Jornal do Fundão, do qual há-de nascer depois a &etc. Aqui ele põe em ação toda a sua inteligência, toda a sua ética, toda a sua vida. “O Vitor tinha uma prodigiosa vitalidade física e espiritual, que nós pensávamos que não acabava nunca. Habituámo-nos a vê-lo calcorrear Lisboa a pé a vender os seus livros”, lembra Alberto Pimenta.

Vítor Silva Tavares com os poetas Rui Caeiro (esq.) e alberto Pimenta (dir.)

Vítor Silva Tavares com os poetas Rui Caeiro (esquerda) e Alberto Pimenta (direita). Imagem em elbalconenfrente.blogspot

Nunca teve carro, telemóvel, computador, nem outros objectos da vida moderna. Não pensemos que isso aconteceu por inépcia, ou por fraqueza (aqueles adjectivos que se convencionou aplicar a quem não faz da aquisição de objectos de consumo o seu objectivo de vida). Vítor não desconhecia nada deste mundo. Conhecia até muito bem. Conhecia tão bem que preferia não participar. “Poucas pessoas passam pela vida sabendo tão bem o que devem a si mesmas e o caminho que têm que fazer para se cumprirem”, diz o poeta e ensaísta Alberto Pimenta.

“Quando noutras entrevistas me perguntam: ‘Que linhas segue a &etc do ponto de vista do conteúdo?’ – tenho grande dificuldade em responder. O mais fácil é apresentar o catálogo e pedir que tirem as próprias conclusões. As linhas de força estão patentes no catálogo. Não é uma, serão várias. Então qual é o denominador comum? O modo de produção. Esse é exactamente o mesmo hoje, como quando nasceu. E é esse modo de produção que é político. Porque é fácil fazer catilinárias contra a exploração capitalista, contra a globalização das multinacionais. Eu, em qualquer café, posso estar a falar três horas sobre isso e entretanto, na minha vidinha, no meu comportamento, cá estou eu. Não é verdade? Ora, aqui temos outro modo de produção — aí está a resposta, a resistência, a resistência.”

O editor da Frenesi, Paulo da Costa Domingos, trabalhou durante várias décadas com Silva Tavares e foi o autor do volume Uma Editora no Subterrâneo (Letra Livre, 2013), sobre os 40 anos da &etc. Ele lembra que Vítor Silva Tavares foi “ o último editor que fazia, de facto, livros como um gesto de resistência ética” e que por isso era também um exemplo de grandeza num tempo de homens moralmente fracos.

Livro sobre os 40 anos de vida da &etc, editado pela LetraLivre

Livro sobre os 40 anos de vida da &etc, editado pela Letra Livre

Com o seu habitual casaco de quadrados azuis, totalmente alheio ao circulo mediático da literatura e da poesia, resistindo à brutal pressão do mundo editorial baseado no lucro, cada vez mais ignaro e vil, resistindo às pressões interiores de estar cada vez mais só num mundo que se está nas tintas para quem com quase nada faz os mais belos livros, Vítor Silva Tavares morreu aos 78 anos como um herói da resistência poética.

E onde quer que esteja agora, Vítor há-de rir deste seu obituário, e indiferente virar-se-á para o lado e contará mais uma história:

“Quer saber esta?” “Sabe qual é o poema surrealista mais bonito de sempre? Foi escrito por um miúdo de 5 anos numa escola onde fui fazer uma sessão de poesia e diz assim: ‘eu gosto muito do sol, porque ele é tão azulito, tão azulito como um moranguito’.” (Vítor Silva Tavares em entrevista ao DN, em 2012)

Morreu Delfina Cruz

Via

Revista Caras

A actriz Delfina Cruz, de 69 anos, morreu em Paris e o seu funeral realiza-se em Lisboa na próxima terça-feira, anunciou hoje o relações públicas e amigo Daniel Martins.

Num texto publicado na página social Facebook o também produtor de eventos anunciou que o velório será a partir das 17:00 de terça-feira na Basílica da Estrela e o funeral é na quarta-feira às 10:30.

Delfina Cruz morreu na terça-feira e sofria de cancro da mama. Estreou-se como actriz nos anos sessenta no teatro de revista, no Parque Mayer, em Lisboa, e nos últimos anos participou especialmente em novelas. Um acidente rodoviário afastou-a no ano passado da novela “Mulheres” na estação televisiva TVI, para a qual fez outros trabalhos.

A actriz também protagonizou novelas e séries nas televisões SIC e RTP.

Morreu António Gaio, director do Cinanima – Festival de Animação de Espinho

Via

NELSON GARRIDO

Tinha 90 anos e continuava a trabalhar no Cinanima, cuja direcção assumiu em 1980. Deve-se-lhe ainda uma História do Cinema Português de Animação que é ainda hoje uma referência.

António Gaio, que durante 35 anos dirigiu o mais importante festival português de cinema de animação, o Cinanima, em Espinho, morreu ontem de madrugada, aos 90 anos. A informação foi dada pela Cooperativa Nascente, que Gaio ajudou a fundar após o 25 de Abril e que é responsável pelo festival.

O funeral de António Gaio, que ainda interveio na preparação da 39.ª edição do Cinanima, que irá decorrer em Novembro, terá lugar no domingo e partirá da igreja matriz de Espinho, onde será celebrada uma missa às 10h30.

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Khaled al-Assad

Via / 

Escultura encontrada em Palmira e exposta no museu da cidade, fotografada antes da entrada do Estado Islâmico Joseph Eid/AFP

Khaled al-Assad tinha 81 anos e ajudou a preservar os tesouros arqueológicos durante meio século. 

Defendia um dos tesouros da humanidade e era ele próprio um tesouro para a arqueologia. Durante meio século, Khaled al-Assad ajudou a descobrir e a preservar muitas das peças do gigantesco e inestimável puzzle que é a cidade de Palmira, património da UNESCO.

Nascido em Palmira em 1934, o homem que foi responsável pelas antiguidades e pelos museus da cidade entre 1963 e 2003 continuava, aos 81 anos, a ter um papel fundamental na sua preservação, como consultor – Maamoun Abdulkarim descreve-o como “um dos mais importantes pioneiros da arqueologia síria no século XX”.

Khalil Hariri, funcionário do departamento arqueológico de Palmira e genro de Khaled al-Assad, lamentou a morte do homem que era “um tesouro para a Síria e para o mundo”, e desafiou os extremistas do autoproclamado Estado Islâmico: “A campanha sistemática que estão a levar a cabo tem como objectivo atirar-nos de volta para a pré-história, mas não vão conseguir”, citou a Associated Press.

Howard Carter de Palmira
Para Amr al-Azm, antigo director dos laboratórios de ciência e conservação da Síria, “era impossível escrever sobre a história de Palmira, ou sobre qualquer coisa relacionada com Palmira, sem mencionar o trabalho de Khaled al-Assad”.

“É como falar sobre egiptologia sem referir Howard Carter”, disse Amr al-Azm , referindo-se ao arqueólogo inglês que descobriu o túmulo de Tutankhamon, em 1922.

Apesar do apelido, Khaled al-Assad não tinha qualquer ligação familiar ao Presidente da Síria, Bashar al-Assad, mas tinha uma ligação política de várias décadas – desde 1954 que era membro do Partido Baas, que governa o país com mão de ferro há 49 anos, 44 dos quais sob a Presidência de Hafez al-Assad e do seu filho, Bashar.

Tesouros escondidos
É praticamente impossível ter a certeza absoluta sobre o que quer que aconteça nos territórios controlados pelo autoproclamado Estado Islâmico, mas Maamoun Abdulkarim disse às agências SANA, Reuters e Associated Press que Khaled al-Assad fora feito prisioneiro há um mês, para o obrigarem a revelar onde se encontravam as estátuas escondidas antes de Maio, quando já se temia que os extremistas islâmicos conquistassem Palmira. Como não conseguiram arrancar-lhe essa informação, mataram-no, disse o responsável pelas antiguidades e museus da Síria.

Um dos directores da organização sem fins lucrativos norte-americana American Schools of Oriental Research, Abdalrazzaq Moaz, disse que Khaled al-Assad “insistiu em ficar porque lhe custava ver a cidade a ser controlada por aquela gente”.

“Tenho a certeza de que ele estava a tentar convencê-los a não danificarem as antiguidades e o sítio. Foi por isso que o mataram.”

Em Maio, quando Palmira caiu nas mãos do Estado Islâmico, os responsáveis pelos tesouros arqueológicos da Síria pediram ajuda internacional: “Centenas e centenas de estátuas que poderiam ser destruídas e vendidas estão agora em lugares seguros. Teme-se pelo museu e pelos grandes monumentos que não podem ser movidos. É uma batalha de todo o mundo”, disse então Maamoun Abdulkarim.

Poucos dias depois, os jihadistas divulgaram imagens do sítio arqueológico, aparentemente intacto, e garantiram que iriam preservar a maioria dos monumentos, como as imponentes colunas e o Templo de Bel – de fora dessa lista, e marcadas para serem destruídas, ficaram as estátuas dos “ídolos que os infiéis adoraram”. Uma delas, a estátua do leão de al-Lat, com três metros e altura e 15 toneladas, datada do século II e descoberta em 1975, foi destruída no início do Julho.

No mês passado, a directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, acusou o autoproclamado Estado Islâmico de pilhar e destruir sítios arqueológicos e museus “numa escala industrial” – não só para promover uma “limpeza cultura”, mas também para alimentar a sua máquina de guerra.

“Eles sabem que podem ganhar financeiramente com esta actividade, e estão a tentar fazê-lo. Sabemos que as partes em conflito vendem a determinados negociadores de arte e a coleccionadores privados”, afirmou a directora-geral da UNESCO.

Khaled al-Asaad

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Khaled al-Asaad

A 2002 picture of Khaled al-Asaad in front of a rare sarcophagus from Palmyra depicting two priests dating from the first century. Photograph: Marc Deville/Gamma-Rapho via Getty Images

He was a fixture, you can’t write about Palmyra’s history or anything to do with Palmyrian work without mentioning Khaled Asaad,” said Amr al-Azm, a former Syrian antiquities official who ran the country’s science and conservation labs and knew Asaad personally.

“It’s like you can’t talk about Egyptology without talking about Howard Carter.”

Asaad was involved in early excavations of Palmyra and the restoration of parts of the ancient city. The 82-year-old played a role in evacuating the contents of the city museum ahead of Isis taking control, which, Azm said, meant he faced certain arrest when the militants arrived.

“Asaad was a treasure for Syria and the world,” his son-in-law, Khalil Hariri, who works at Palmyra’s archaeological department, told the Associated Press. “Why did they kill him?

“Their systematic campaign seeks to take us back into prehistory, but they will not succeed.”

The archaeologist and scholar, who held a diploma in history and education from the University of Damascus, published many books and scientific texts. Among his titles are The Palmyra Sculptures and Zenobia, the Queen of Palmyra and the Orient.

He worked for 40 years as the head of antiquities in Palmyra, which was an important trading hub along the Silk Road 150 miles north-east of Damascus. When he retired in 2003, it was to take up the post of expert with the antiquities and museums department.

Syria’s directorate general of antiquities and museums (DGAM) described him as an “inspirational and dedicated professional who was committed to DGAM even after he retired”.

Hariri, who is married to Asaad’s daughter, Zenobia, said his father-in-law had been a member of Bashar al-Assad’s ruling Ba’ath party since 1954. He is survived by six sons and five daughters, he said.

In 2003, Asaad was part of a joint Syrian-Polish archaeological team to unearth an intact third century mosaic depicting a battle between a human being and a mythical winged animal, and surrounded by geometric drawings of grapes, figs, deer and horses.

At the time, he described the 70 sq m mosaic as “one of the most precious discoveries ever made in Palmyra”.

In 2001 he announced the discovery of 700 silver coins, dating back to the seventh century in the town. The coins, stuck together in one lump, bore the pictures of Kings Khosru I and Khosru II, members of the Sassanid dynasty that reigned in Persia before the Arab conquest. Both kings invaded Syria.

A sua voz é “ampla, profunda, a memória dir-se-ia um conservatório de combates”. Para Ana Hatherly

ViaHELENA BENTO

Júlio Almeida

Teve uma infância “severa”, “muito solitária e sem irmãos”, nem ninguém por perto para brincar. Mais tarde, há de sentir-se grata por essa severidade – “isso preparou-me para as agruras que vieram”. Ana Hatherly, artista plástica, poeta, romancista, ensaísta, realizadora e tradutora, morreu esta quarta-feira, aos 86 anos.

A sua voz é “ampla, profunda, a memória dir-se-ia um conservatório de combates, grito inaudível de um poeta-pintor que com a própria vida cria a sua arte de ver”, escreveu Ana Marques Gastão, poeta e crítica literária, na revista brasileira “Agulha”, em 2003. Ana Hatherly era fogo e tranquilidade na mesma medida, justa e equilibrada.

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