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Novas obras de Arte Bruta em mostra nacional sobre “mitologias individuais” de outsiders


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Martin_Ramirez

Martín Ramírez

A Oliva Creative Factory de S. João da Madeira, que acolhe a única mostra ibérica de Arte Bruta, inaugura no sábado, 18 de Junho, uma nova exposição com obras de autores considerados outsiders, destacando agora aqueles que melhor souberam criar “mitologias individuais”.

A mostra revela ao público uma nova selecção de cerca de 100 trabalhos entre os 800 que os coleccionadores privados Richard Treger e António Saint Silvestre cederam em regime de comodato ao município – onde estabeleceram assim um dos principais museus da Europa dedicado à arte produzida por criadores livres da influência de correntes e estilos oficiais, como doentes psiquiátricos, reclusos ou autodidactas em isolamento social.

Intitulada “Arte Bruta: uma história de mitologias individuais”, a nova exposição é comissariada pelo curador francês Christian Berst e esse explicou à Lusa que o particular conjunto de trabalhos agora exibidos na Oliva tem como principal função demonstrar “como as obras de Arte Bruta representam, antes de tudo, uma tentativa de elucidação do mistério que é estar no mundo”.

Três dos autores que melhor o exemplificam são o mexicano Martín Ramírez (1895-1963), o norte-americano Melvyn Way (1954) e o brasileiro Albino Braz (1896-1959).

No primeiro caso, a obra de Ramírez resulta de um percurso biográfico marcado tanto pela sua actividade de agricultor e mineiro, como pela perda da sua família na sequência da guerra em Tepatitlán e por um posterior internamento psiquiátrico de 16 anos na Califórnia.

Os seus primeiros desenhos revelavam uma patina especial que se deveria a efeitos da desinfecção a quente, dado que Ramírez já então havia sido diagnosticado com tuberculose, e na sua obra posterior predominam figurações de cavaleiros, que os especialistas julgam evocar os rebeldes de Cristero ou os cowboys em pose altiva dos teatros americanos – o que constituiria uma amálgama entre as suas raízes nativas e os ícones do território que adotou mais tarde.

Quanto a Melvyn “Milky” Way, as suas justa-posições com números e fórmulas químicas reflectem uma obsessão com o tempo e o espaço, e já na sua juventude se expressavam em símbolos e formulações codificadas que só o próprio compreenderia. Tendo desenvolvido entretanto algumas perturbações mentais e também um peculiar interesse por música, o artista é hoje admirado por críticos eminentes como Jerry Saltz, que o define como “um génio místico visionário”.

Já Albino Braz, por sua vez, também esteve institucionalizado por 16 anos devido a esquizofrenia, mas desenvolveu uma obra de simbologia épica, em que figuras nuas de tamanho imponente dominam cenários povoados também por animais reais ou imaginários.

Ainda no sábado é também inaugurada na Oliva uma exposição de Arte Singular que, reunindo igualmente obras da colecção Treger e Saint Silvestre, revela trabalhos de criadores autodidatas que, voluntariamente ou não, optaram por se distanciar das artes oficiais – num formato que alguns definem como pós-Arte Bruta.

Essa mostra intitula-se “Acordar, sair, caminhar, desacelerar? Olhar, parar. Olhar de novo” e é da responsabilidade da curadora italiana Antonia Gaeta, que afirma que as obras em questão “representam um conjunto complexo submetido a uma certa ideia de organização, regras, proibições, deveres e responsabilidades, mas também possibilitam o seu contrário, mostrando alguma displicência e hilaridade das dinâmicas do urbano, o fantasioso, o grotesco, o labor e o emprego disfuncional do tempo”.

A primeira das novas exposições da Oliva Creative Factory estará patente ao público até 26 de Fevereiro de 2017; a segunda, até 23 de Outubro deste ano. Em paralelo, o museu acolhe actualmente também a mostra “Paradoxos da Torre de Marfim – A pintura e o pictórico na Colecção Norlinda e José Lima`, que poderá ser visitada até 24 de Setembro.

“Arte Bruta: Uma História de Mitologias Individuais”

Curadoria: Christian Berst

Artistas: A.C.M. (França), Ademeit (Alemanha), Benetto (França), Bosco(Itália), Bruenchenhein (U.S.A.), Camilo (Brasil), Zinelli (Itália), Chauhan (Índia), Deeds (U.S.A.) , Develin (Canadá), Domsic (Croácia), Erhard (Alemanha), Rodrigues (Brasil), Ferreira (Paraguai), Garcia (Uruguau), Gorgali (Irão), Fengyi (China), Hofer (Áustria), Janke (Alemanha), Jeremtschuk (Rússia), Lobanov (Rússia), Mackintosh (U.S.A.), Monichon (Uruguai), Monsiel (Polónia), Moser (U.S.A.), Perdrizet (França), Plný (República Checa), etc.

Patente até 26 de Fevereiro de 2017.

“Acordar, sair, caminhar, desacelerar… olhar, parar. Olhar de novo”

Curadoria: Antónia Gaeta

Artistas: Bartory (França), Fournier (França), Nyamainasche (Zimbabué), Marshal (Canadá), Chedburn (Inglaterra), Dado (Montenegro), Deal (França), Velliot França), Moreira (Portugal), Duranel (França), Dilla (Cuba), Cepkauskas (Lituânia), Wesley Willis (U.S.A.), Royal Roberston (U.S.A.), etc.

Patente até 23 de Outubro de 2016.

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