P.A.M. – Património, Artes e Museus

Início » arte » Um lance de dados. Anozero’15 Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra

Um lance de dados. Anozero’15 Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra


ano_zeroA primeira edição da Anozero: Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra – Um lance de dados – pode ser lida como uma conversa entre intervenções de arte contemporânea que habitam vinte e três espaços diferentes. O que estes espaços têm em comum, em primeira instância, é um território partilhado: Coimbra.

O contexto em que a Bienal se inscreve apresenta-se como interdependente ao desenvolvimento da narrativa que expõe. A classificação da Universidade de Coimbra, da Alta e da Rua da Sofia enquanto Património da Humanidade da UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) foi o pretexto principal para esta primeira edição da Anozero. Mais do que emitir quaisquer juízos de valor sobre esta distinção, trata-se de promover um conjunto de reflexões criticas sobre esta recente circunstância. Como consequência natural das questões invocadas por uma análise crítica, o objectivo principal de reflectir sobre o património perpassa os lugares ordenados pela UNESCO segundo uma validação mundial. Numa exploração tanto dos riscos como das possibilidades associadas a este património cultural que agora é da Humanidade, a Bienal coloca em confronto dialogante a arte contemporânea e o património. O que este confronto implica é um debate público sobre a importância de inúmeros lugares em Coimbra, classificados como património mundial ou simples e inevitavelmente em diálogo com estes, pela proximidade implícita a um território partilhado. Trata-se assim de estender a classificação de três lugares específicos de Coimbra a um território expandido e multiplicado em rede ao longo da cidade.

A primeira edição da Anozero reflecte, por um lado, sobre o património que reside no domínio do material – aquilo que vemos, habitamos e experienciamos com os cinco sentidos – e, por outro lado, também sobre o que está na ordem do imaterial – aquilo que nos escapa, que é invisível e impossível de quantificar. Se, por um lado, o enfoque é sobre memórias passadas que perpassam quaisquer classificações e validações nas inter-relações entre arte, sociedade e os lugares que ocupam, por outro lado avança-se o repto – num lance de dados – para o que está por vir e construir, seja ao nível material ou imaterial. O que estes domínios do património têm em comum é uma fragilidade inerente à sua existência e permanência no mundo.

Un coup de dés jamais n’abolira le hasard (Um lance de dados jamais abolirá o acaso), é o título do poema de Stéphane Mallarmé (Paris-Vulaines-sur-Seine, 1842-1898), publicado pela primeira vez em 1897, que emprega um arranjo tipográfico revolucionário enquanto ferramenta para aquilo que o seu autor designava de “subdivisões prismáticas da ideia”.  Reapropriamos o poema simbolista de Mallarmé numa vontade de multiplicação do seu gesto assente em binómios que se contradizem tanto quanto se complementam. E é precisamente em dicotomias que determinam e caracterizam a circunstância efémera e circunstancial do mundo, nos seus valores materiais e imateriais, que a narrativa de Um lance de dados – a primeira edição da Bienal – se desenrola. As personagens (as intervenções de arte contemporânea) desta história unem-se numa série de relações pares inerentes à condição humana: construção e destruição; efémero e perene; criação e interpretação; possibilidade e impossibilidade; totalidade e fragmento.

Perante as histórias que esta primeira edição da Anozero se propõe contar – através das suas várias actividades e traduções visuais – (n)Um lance de dados – não restam dúvidas que o que é absolutamente fascinante na arte contemporânea é a sua capacidade de comentar e reflectir activamente sobre as acções, a história, os lugares que determinam o que entendemos como património, e as referências culturais inerentes à sociedade. Com esta capacidade, a arte implica interpretações que são, por si, sujeitas a outras interpretações. A ambição maior de Um lance de dados reside em deixar lugar para tantas interpretações, reflexões, questões e conclusões quantos olhares esta primeira edição da Anozero, assente em contradições inerentes à condição humana, for sujeita.

Carlos Antunes, Luís Quintais, Pedro Pousada (curadores gerais)

e Luísa Santos (curadora executiva)

PROGRAMA

Programa

IMAGENS

Luisa Cunha

Artista à procura de si própria (2015)
Anatomia da Palavra (vista de instalação)
Fotografia de Jorge das Neves

Mónica Capucho

Looking for something (série) (2015)
Anatomia da Palavra (vista de instalação)
Fotografia de Jorge das Neves

Isaura Pena

15 metros de Jacarandá (2015)
Link (produção por Isaura Pena)
Fotografia de Jorge das Neves

Pedro Cabrita Reis

A Casa de Coimbra (2015)
Fotografia de Jorge das Neves

Lawrence Weiner

& The Pursuit of Happiness + The Pursuit of Happiness (2003)
The Pursuit of Happiness (vista de instalação)
Fotografia de Jorge das Neves

João Pedro Trindade

Tirado do Sério (série 2012-2015)
Tirado do Sério (vista de instalação)
Fotografia de Jorge das Neves

Rui Chafes

Família (vista de instalação)
Fotografia de Jorge das Neves
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: