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Francisco Simões expõe na Sala Art E. Arimany, Tarragona


Catalogo da exposição de 4 de Setembro a 12 de Novembro

Francisco Simões (Almada, 1946) é considerado por muitos como um dos mais relevantes escultores portugueses ligado a uma tradição clássica da escultura onde materiais como bronze e a pedra desempenham um papel fundamental.

Foi discípulo de Germain Bazin em Paris, e tornou-se num escultor onde dimensão erótica do feminino e a inspiração literária ocupam um papel central no processo de expressão. Existe uma abundante produção inspirada na sua obra, que conta sobretudo com textos de figures determinantes da literatura portuguesa, como Manuel Alegre e David Mourão-Ferreira, entre outros. Fernando Assis Pacheco, por exemplo, aponta neste artista uma dialéctica do corpo que tem implícito o júbilo e conduz ao triunfo, inscrevendo-o num jogo de oposições que deve ser tido em conta para o ler devidamente, sempre num compromisso com o classicismo.

Flores de Verde Pinho Leiria

Uma grande mestria técnica e domínio de execução fazem parte da “assinatura” de Simões. Escultor e desenhador, exprime-se sobretudo através da pedra e bronze num diálogo fecundo com os materiais. A sua obra trata de um imaginário obcecado por representações naturalistas da mulher e do seu corpo é nelas que mais intensamente se faz sentir, a presença literária de David Mourão-Ferreira. A diversidade de pedras com as quais o escultor trabalha permite-lhe tirar proveito de tonalidades e texturas, dos veios e das cores. Nos seus bronzes sente-se o toque, a “impressão digital”, o ofício de moldar. Em todas as peças observa-se a capacidade de fazer corresponder o desenho ao objecto, passar de transfiguração em transfiguração, num jogo com referências clássicas e com a memória da escultura antiga. A escultura de Francisco Simões pode ser apreciada em diversos espaços públicos um pouco por todo o país, merecendo especial destaque o “Parque dos Poetas” em Oeiras (2000).

São mulheres, sobretudo mulheres. “A mulher é a coisa mais bonita do universo”, afirma o escultor Francisco Simões. “Não há pássaro, não há Sol, não há mar, não há nada que se lhe compare. O corpo da mulher é redondo, não tem arestas, tem uma policromia harmoniosa, cheira bem.”

Metro Campo Pequeno,, Lisboa Lalupa

A mulher é o tema principal do seu trabalho. Diz-se Francisco Simões e pensa-se imediatamente nos corpos de mármore da estação de metro do Campo Pequeno, em Lisboa (1994).

Tivesse ele seguido a tradição familiar e em vez de artista seria marinheiro. Francisco Simões nasceu em 1946, em Porto Brandão, “à esquina do Tejo com o mar”, e foi aí que criou as suas primeiras esculturas – ingénuas brincadeiras de criança construídas com o barro do chão e com as madeiras trazidas pela maré. Mas nada disso se lhe afigurava como carreira. Foi a intervenção do professor Calvet Magalhães junto da sua mãe que encaminhou este aluno excelente para uma escola artística, a António Arroio, e foi aí, primeiro nas oficinas e depois entre os livros e as conversas com outras sensibilidades artísticas, que Francisco Simões foi descobrindo o seu próprio lugar.

Aos 19 anos, foi estudar para artes gráficas em Itália. Na primeira visita ao Vaticano foi direitinho para a Pietà, de Miguel Ângelo. “Tive o privilégio de poder tocar nela com as mãos. É tão bonita. Ainda hoje, quando esculpo as minhas peças só as considero prontas quando ao toque tenho a mesma sensação que tive com a Pietà.” Miguel Ângelo e Rodin estão entre as suas principais influências.

Francisco Simões foi professor (“sou professor”, diz ele, agora reformado), foi assessor para as artes do Ministério da Educação, foi comunista, foi vereador da Câmara de Almada. Tem uma vida cheia de histórias para contar – das amizades com Almada Negreiros e David Mourão Ferreira (entre tantos, tantos outros nomes das artes e das letras), das conspirações em tempos de ditadura, da revolução e da dissidência. Das mulheres. É impossível resumir a sua vida a estas linhas tal como é impossível resumir a sua obra a uma galeria.

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