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Sonhos de uma noite de Verão ?


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by nada

Curadoria: Filho Único

No seu sexto ano ininterrupto, as Noites de Verão no MNAC – Museu do Chiado regressam à área exterior do Museu, conhecida como Jardim das Esculturas onde também se situa a Cafetaria, no habitual horário das Sextas-feiras, pelas 19h30, e com entrada livre. Este ciclo de concertos produzido e programado pela Filho Único é desenhado, em congruência com o objectivo e missão desta associação cultural sediada em Lisboa e com a identidade e vocação do Museu Nacional de Arte Contemporânea que o acolhe, com o intuito de apresentar e divulgar propostas na área da música que trabalhem a partir de critérios construtivos de produção artística, que visem o desenvolvimento da arte e contenham em si um cariz de busca e de progressão estética.

21 de Agosto – Julinho Da Concertina

28 de Agosto – David Maranha & Helena Espvall

4 de Setembro – Bill Kouligas

no Jardim das Esculturas do MNAC

Início pelas 19h30

Entrada Livre

21 de Agosto – Julinho da Concertina (CV)

Julinho da Concertina nasceu em Piloncan, concelho da Calheta de São Miguel, ilha de Santiago, Cabo Verde, há quase 60 anos, e desde cedo descobriu a paixão pela música e pela concertina, instrumento que escolheu e afinou a seu jeito para, ao longo destas décadas, se fazer acompanhar em palco a tocar as mornas, coladeras e especialmente o funaná da sua terra natal. Emigrou para Portugal um ano antes da Revolução de Abril e vive actualmente no bairro da Quinta da Lage, na Falagueira, onde ainda hoje ocupa uma boa parte do seu tempo a trabalhar numa horta urbana, depois de uma vida passada entre as jornas de sol a sol nas alfaias agrícolas, e o fole e os teclados da sua concertina. “Vivi, quase sempre, da música. Mas os cachets foram rareando. Toquei ao lado de muitos músicos afamados. Participei em concursos com bons resultados. Mas esta horta é uma grande ajuda para a família”, dizia ao jornal diário online cabo-verdiano A Semana, aquando de uma visita para uma peça sobre si há cerca de 3 anos. Com um vasto reportório, com peças da sua autoria e temas de outros compositores, diz guardar a mágoa de não ter sido convidado para tocar para o grande público em Cabo Verde, até porque, afiançava à mesma entrevista, antes dos Ferro e Gaita e outros grupos cuja carreira atingiu patamares de reconhecimento e sucesso notáveis, era ele e outros da sua geração que impulsionavam a disseminação do funaná na sua terra e na diáspora cabo-verdiana. Nesta ocasião feliz nas Noites de Verão no MNAC, Julinho da Concertina far-se-á acompanhar de Nirr Paris na bateria e António Tavares no ferrinho e voz.

28 de Agosto – David Maranha & Helena Espvall (PT/SE)

David Maranha e Helena Espvall têm vindo a colaborar com frequência desde que Helena participou em “Marches of the New World”, albúm marcante na discografia de David editado em 2007, sendo evidente que a parceria conheceu novos desenvolvimentos a partir do momento que Helena escolheu Lisboa para viver há cerca de um par de anos. Na vida do recentemente extinto espaço alternativo na Cave do nº 211 da Avenida da Liberdade, David promoveu inúmeros encontros entre músicos da cidade e outros em trânsito temporário para, em formações variáveis, ajudar a definir uma comunidade deperformers e público interessados na busca actual de novas formas de expressão na música improvisada, sendo Helena uma das figuras centrais desta dinâmica, e com certeza contribuído para a produção de “Sombras Incendiadas”, o inspirado disco em duo lançado este ano no selo suíço three:four records.

Helena é uma violoncelista sueca que operou durante largos anos na Costa Este dos Estados Unidos, tendo-se notabilizado como uma das vozes dos Espers, apostados há altura numa reactualização das formas folk anglo-saxónicas. Reconhecida como uma improvisadora altamente melódica, numa procura incessante pelas possibilidades da frase num âmbito pós-clássico e telúrico, entre trabalhos a solo regulares destacam-se dois discos em duo com o mítico Masaki Batoh, líder dos Ghost (ambos pela Drag City), e há ainda a ter em conta o seu contributo regular para artistas e bandas em digressão como foram os casos de Vashti Bunyan, Damon and Naomi ou Marissa Nadler.

David Maranha é um explorador intrépido das potencialidades do som contínuo, do silêncio, do volume, do espaço, da acústica e da arquitectura sonora, quer nos Osso Exótico quer no seu percurso a solo, apresentado-se regularmente ao vivo com outros músicos que convida para o ajudarem a concretizar as suas composições abertas. Para além de músico, especialmente versado em orgão elétrico e violino amplificado, activo desde o final da década de 80 e com uma discografia profícua, tem nos últimos anos exposto em galerias comerciais e espaços independentes o seu trabalho em artes visuais, sobretudo através de objectos escultóricos e instalações.

4 de Setembro – Bill Kouligas (GR)

Bill Kouligas é um músico, designer e DJ a operar entre Nova Iorque e Berlim. A partir de 2006 iniciou actividade pública usando o nome Family Battle Snake, tendo lançado acima da vintena de edições em vinil, cassette e cdr, incluindo projectos colaborativos com outros músicos da há altura virtuosa comunidade subterrânea de noise experimental em diálogo entre os dois lados do Atlântico, território aliás que palmilhou generosamente a tocar ao vivo. Fundador e editor do selo PAN, teve um papel crucial, a par da consolidação da influência de revistas online como a Fact, da distribuidora Boomkat e do circuito europeu emergente de festivais de músicas electrónicas conceptualmente engajadas, na reconfiguração recente das percepções do que são os campos da teoria e prática do avant-garde e da música electrónica de dança. Com uma visão obstinada e coalescida das músicas psicadélica, composição electroacústica, industrial, ambient, house, techno, foi paulatinamente construindo um catálogo que tem vindo a cartografar as renovadas avenidas lexicais de expressão sonora imbuídas de arrojo e desafio propostas por artistas novos e não tão novos de idade e currículo, a quem foi proporcionando uma infraestrutura, nalguns casos pela primeira vez, oferecendo uma assertiva perspectiva curatorial no processo. Depois de muitos anos a produzir e apresentar ao vivo música experimental sob diferentes pseudónimos, entra agora numa nova etapa criativa em que irá apresentar um novo concerto de electrónica manipulada ao vivo, indubitavelmente consubstanciado pelo seu aguardado primeiro longa duração em nome próprio a ser lançado no Outono.

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