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Museu de Lamego, “Um Ano. Um Tema” destaca gravura feita a partir de desenho de Vieira Lusitano


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“Restituet omnia” Pedro Rochefort (a partir de) Vieira Lusitano; José António da Silva (editor) Lisboa 1739 Tinta e papel Museu de Lamego, inv. 934 Compra: Grupo de Amigos do Museu Regional de Lamego

A frase latina “Restituet omnia” foi utlizada como divisa da Academia Real de História Portuguesa (1720-1776), traduzindo o seu objetivo de escrever a História de Portugal e assim restituir ao mundo o conjunto de ações gloriosas dos portugueses. “Restituet omnia” é também o título da gravura que em agosto está em destaque na rubrica “Um Ano. Um Tema”. Trata-se de uma portada alegórica gravada a partir do desenho de Vieira Lusitano e aberta por Pedro Rochefort, um dos mais conceituados gravadores estrangeiros, que vieram para Portugal durante o reinado de D. João V.

Datada do século XVIII, a estampa é dominada pela figura feminina que personifica a História, segurando numa mão uma romã, símbolo do conjunto de indivíduos que formam a sociedade humana e na outra uma lima, sinal do apuro e sentido crítico das pesquisas históricas.

O dramaturgo, historiador e memorialista Júlio Castilho, que no seu Amores de Vieira Lusitano (1901) nos oferece uma das melhores descrições desta alegoria, admite que a figura feminina em primeiro plano poderá ter tido como o modelo Dona Inês Helena de Lima e Melo, com quem Vieira Lusitano viveu uma muito conturbada, mas com um final feliz, história de amor contrariado. Castilho observa na lima uma clara reminiscência do apelido de Inês e na romã uma alusão iconográfica a Prosepina, separada de Plutão e só passados seis meses restituída. O mesmo autor refere ainda ver o nome de Inês inscrito na placa pendente do pescoço desta figura, em caracteres possivelmente hebraicos.

Esta gravura foi aberta por três artistas, surgindo com três subscrições diferentes, conforme os gravadores que a abriram (Vieira Lusitano, François Harrewyn e Pedro Rochefort) em diversas obras saídas dos prelos da tipografia da Academia Real de História Portuguesa. A “História Genealógica da Casa Real”, de António Caetano de Sousa, de que foram publicados 19 volumes de 1735 até 1748, é a principal.

Com a fundação da Academia Real de História Portuguesa, em 8 de Dezembro de 1720, por D. João V, estabelece-se a primeira oficina de gravura conhecida, onde trabalharam importantes artistas nacionais e estrangeiros. Para além do pintor e ilustrador português, Vieira Lusitano, a Academia contratou burilistas franceses e flamengos, entre os quais François Harrewyn e Pedro Rochefort, que estabelecido em Paris, na rua de St. Jacques au Palmier, veio para Portugal em 1728. É possível que esta gravura tenha sido adquirida na década de 1930 pelo Grupo de Amigos do Museu Regional de Lamego, numa altura em que exemplares desta gravura eram relativamente comuns no mercado embora, por vezes, atingindo preços exorbitantes.

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