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Realizadores turco, palestiniano e portuguesa vencem festival de Melgaço


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O realizador turco Kazim Oz, em longa-metragem, Mahdi Fleifel, da Palestina, em curta e média metragem, e Leonor Areal, pelo melhor documentário, foram os vencedores da primeira edição do prémio Jean Loup Passek, atribuído pelo festival cinematográfico de Melgaço.

Em comunicado hoje, a organização do festival “Filmes do Homem”, que terminou no domingo naquela vila do Alto Minho – a cargo da câmara e da Associação de Produção e Animação Audiovisual (AO NORTE) -, adiantou que os filmes premiados foram “He Bu Tune Bu/Once Upon a Time”, “Xenos” e “Aqui tem gente”, respectivamente.

O filme do realizador turco “retrata uma família curda, pobre e numerosa, que deixa Batman com destino a Ankara para trabalhar nos campos agrícolas. Sem quaisquer benefícios e com salários muito baixos, a família trabalha para ganhar a vida, cultivando alface”.

O júri do festival destacou “a forma como ficciona o real dando corpo, com apurado sentido cinematográfico, a uma narrativa que logra transformar os protagonistas curdos em personagens num contexto em que as relações pessoais e familiares interagem com o pano de fundo revelador, na Turquia de hoje, da existência de relações sociais que perpetuam a servidão”.

Além do galardão, o realizador recebeu um prémio pecuniário, no valor de três mil euros.

Já o filme “Xenos”, de Mahdi Fleifel, foi distinguido “pela extraordinária energia humana e cinematográfica que irradia das imagens criadas em torno da figura de Abu Eyad e de outros refugiados palestinianos em busca de uma vida nova em Atenas, mas apanhados na armadilha de um país em colapso”. Além do título de melhor curta e média metragem, o realizador palestiniano vai receber um prémio no valor de 1.500 euros.

O filme apresenta “Abu Eyad e outros jovens palestinianos do campo de refugiados Ain el-Helweh no Líbano, que viajaram com contrabandistas pela Síria e Turquia até à Grécia”.

O prémio de melhor documentário português foi atribuído pelo júri do festival ao filme “Aqui tem gente”, de Leonor Areal, “pelo retrato que faz da luta pelo direito à habitação dos moradores do Bairro da Torre, em Loures, muitos dos quais ciganos e africanos, bem como pelo destaque dado ao papel das mulheres e pelas questões que suscita.”

A realizadora recebeu um prémio no valor de mil euros.

O prémio Jean Loup Passek, batizado em homenagem ao crítico e programador de cinema francês que doou parte do seu espólio à Câmara de Melgaço, teve como júri Jorge Campos, Catarina Alves Costa, Jean-Loïc Portron, José Manuel Sande e Tiago Hespanha.

Durante os seis dias passaram por Melgaço 35 convidados, entre realizadores e produtores de cinema, investigadores, compositores e outras personalidades ligadas ao cinema e às migrações. Foram exibidos, no centro de Melgaço, nas freguesias do concelho e em Arbo, na Galiza, 25 filmes.

O programa do festival incluiu ainda, pela primeira vez, um curso de verão, intitulado “Fora de Campo”, para reflexão e debate em torno do tema “Cinema e Migrações”.

Já as residências, cinematográfica e fotográfica, designadas “Plano Frontal”, reuniram alunos de Cinema, Audiovisual, Comunicação e Fotografia que, durante nove dias, trabalharam na produção de documentários e trabalhos fotográficos sobre a região de Melgaço.

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