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Chuva de candidaturas a património imaterial da humanidade no Alentejo


Via / CARLOS DIAS

Os tapetes de Arraiolos fazem parte de uma das candidaturas DR

Depois da inscrição do cante alentejano na lista representativa do património cultural imaterial da humanidade, assiste-se à profusão de candidaturas com o mesmo objectivo.

A cultura popular destaca-se nas propostas apresentadas por municípios alentejanos e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo à UNESCO para que sejam incluídas na lista do património imaterial da humanidade. A sucessão de candidaturas é explicada por estas entidades como uma maneira de evitar a extinção de algumas das mais representativas formas de expressão colectiva.

“Defender o património típico das falsificações que inundam o mercado” foi a motivação apresentada pela presidente da Câmara de Arraiolos, Sílvia Pinto, para salvar uma das maiores referências da arte popular alentejana: o tapete de Arraiolos, que até os chineses já fabricam.

A autarca diz que tem feito de tudo para “tirar da gaveta a lei da certificação” que foi aprovada por unanimidade na Assembleia da República, mas quetem andado de gaveta em gaveta pelos ministérios a aguardar regulamentação”.

“Não queremos ficar parados à espera de uma decisão que nunca chega e, com a candidatura, [que só em 2017 é que deverá ser formalmente apresentada junto do comité internacional da UNESCO] procuramos valorizar o nosso património de outra forma”, esclarece a autarca.

Os argumentos da presidente da Câmara de Arraiolos, são partilhadas por outros autarcas alentejanos e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo: querem salvaguardar as referências de maior significado da cultura popular alentejana.

O rol de propostas já anunciadas de candidaturas a Património Imaterial da Humanidade é extenso. A Câmara do Alandroal lidera um grupo de sete municípios (Redondo, Vila Viçosa, Borba, Elvas e Campo Maior) para candidatar as Saias Alentejanas. Não é uma peça de roupa mas uma dança cantada tradicional da zona raiana. A presidente da Câmara do Alandroal, Mariana Chilra espera poder apresentar a candidatura ainda em 2015.

A décima (estrofe com dez versos), o teatro tradicional (que pretende incluir os Bonecos de Santo Aleixo) e o verso improvisado, poderão vir a ser incluídas numa candidatura a apresentar pela Junta de Freguesia de Orada, no concelho de Borba, Associação de Desenvolvimento Montes Claros e Centro de Estudos para o Desenvolvimento, que contam com o apoio da ERTAR. A candidatura intitula-se “Cantos de Improviso, Diálogos de Paz entre Culturas”.

Mais avançada está a proposta da Arte Chocalheira à lista do Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente, uma arte iniciada na região há mais de dois mil anos e que se encontra “em risco de desaparecer”. A candidatura foi aceite em Fevereiro passado.

O antropólogo Paulo Lima, que foi coordenador da candidatura do cante alentejano a património da humanidade, diz que “só existem 13 mestres chocalheiros em Portugal”, pormenor que realça a importância de apresentar uma “candidatura do país”, frisando que também há chocalheiros em Bragança, Tomar, Cartaxo, Estremoz, Reguengos de Monsaraz e Angra do Heroísmo. O projecto é liderado pela Turismo do Alentejo, em parceria com a Câmara de Viana do Alentejo e a Junta de Freguesia de Alcáçovas

Em Maio foi a vez da Câmara de Beja avançar com a “actividade associada aos fornos de cal artesanal” ao assinar com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil um protocolo de cooperação técnico-científica sobre a sua classificação como Património Imaterial da Humanidade. O objectivo último é manter presente nas práticas artesanais o uso da cal na pintura de habitações.

Já fora do campo da cultura imaterial, mais recentemente, em Julho os municípios da área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina apresentaram a candidatura da “Costa Sudoeste” a Património Natural da Humanidade, mitigando, desta forma, “riscos de perda de valores naturais e patrimoniais centrais para a região, para o país e para a humanidade”. O processo vai ser liderado pela Câmara Municipal de Odemira.

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