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Académicos alertam para impacto dos novos aterros na conservação do património de Macau


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Académicos ligados à área da conservação do património defenderam, em Macau, que o desenvolvimento dos novos aterros vai ser determinante para a paisagem e herança cultural do território, cujo centro histórico está inscrito na Unesco desde 2005.

“No âmbito do desenvolvimento é preciso pensar num conceito global”, disse o académico israelita Michael Turner, à margem de um seminário que assinalou o 10.º aniversário da integração do centro histórico da cidade no património mundial.

O plano diretor dos novos aterros de Macau, apresentado na semana passada, em consulta pública até 08 de agosto, tem gerado alguma polémica, pelo facto de, num dos novos aterros (zona B), poder vir a ser permitido construir até 100 metros, uma altura superior à da Ermida da Penha, considerada edifício de interesse arquitetónico.

Questionado sobre a perda de visibilidade para a igreja e alteração na paisagem, o professor da Universidade de Arte e Design de Bezalel afirmou que “não ficaria feliz com a ideia de simplesmente construir em altura e deixar ‘corredores visuais’ para o monumento”.

“Eu ficaria preocupado. Tivemos situações idênticas em São Peterburgo e em Viena, e devemos pensar sobre isto”, acrescentou Michael Turner.

Para o também membro do órgão consultivo do Comité do Património Mundial, o Conselho Internacional para Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla inglesa), a solução também está na gestão dos terrenos.

“Vamos desenvolver os novos aterros com apenas um único grande construtor ou com vamos ter uma centena de empresas de pequena dimensão a fazer os trabalhos? A abordagem de como vai ser desenvolvido também vai ter efeitos no resultado”, estimou.

“Seria útil procurar alternativas e determinar um programa que fosse sustentável e depois apresentar uma proposta que fosse melhor para o centro histórico”, acrescentou.

Michael Turner observou também que um programa de proteção e conservação do património abrangente deve contemplar o desenvolvimento da futura ponte Hong Kong – Zhuhai-Macau e as construções no lado da China, na outra margem do Delta do Rio das Pérolas.

Por outro lado, colocou a tónica na sustentabilidade a longo prazo: “O design deve refletir uma ação que daqui a 500 anos se conclua que contribuiu para a proteção do património”.

Os titulares das Obras Públicas e Assuntos Sociais e Cultura, Raimundo do Rosário e Alexis Tam, reiteraram, na última semana, que nada está decidido.

Também a académica sul-coreana Hae Un Rii manifestou preocupação sobre o impacto da construção em altura. “Macau mudou muito com os aterros, onde foram construídos grandes arranha-céus. De alguma forma é bom, mas, no aspeto da conservação, não é assim tão bom”, disse, comparando o aspeto económico com o cultural.

A docente da Universidade Dongguk, em Seul, deu o exemplo do Foral da Guia, que perdeu visibilidade a partir do mar, ofuscado por outros edifícios na zona envolvente.

“Isso quer dizer que a integridade já está perdida. É preciso pensar sobre isto”, afirmou.

Hae Un Rii sublinhou que o trabalho não terminou com a declaração da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), há dez anos, e que as autoridades locais devem preocupar-se com “a autenticidade e integridade nos futuros desenvolvimentos”.

Além disso chamou a atenção para o facto de, em quatro visitas à cidade, nunca ter “tropeçado” num centro com informações sobre o património da UNESCO, e defendeu outra postura na promoção da herança cultural, para que a imagem de Macau deixe de estar associada ao jogo e passe a ser vista de uma perspetiva cultural.

“Os visitantes quando vêm a Macau pensam que isto é um sítio de jogo. Muitos acabam por encontrar alguma herança cultural, mas não sabem que é património mundial. Há cerca de 25 monumentos ou conjuntos classificados, mas eles não sabem. Eles apenas visitam alguns locais como as Ruínas de São Paulo e a Praça do Leal Senado. Isso deve ser mudado no futuro”, afirmou.

FV (ISG) // MAG

Lusa/fimV

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