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Colecção “SEC”. Aveiro deve manter peças da coleção de arte contemporânea do Estado


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A antiga vereadora da Cultura da Câmara de Aveiro Maria da Luz Nolasco defende que, tal como a Fundação de Serralves, “Aveiro não deve abdicar das peças de arte contemporânea da colecção SEC”, que aí estão depositadas.

A polémica da afectação ao Museu do Chiado daquela colecção, na origem da demissão do seu director David dos Santos, poderia vir a passar igualmente por mais de uma centena de obras que se encontram cedidas a Aveiro, algumas de autores consagrados, que a antiga vereadora da Cultura reuniu, com vista a integrar um projecto denominado “Avenida das Artes”.

O objetivo era dinamizar a avenida Lourenço Peixinho, transformando a antiga estação ferroviária em núcleo museológico de arte contemporânea, que se prolongaria em espaços expositivos de “arquitetura notável”, como o antigo Cine Avenida e a Capitania.

Maria da Luz não teve tempo, nem dinheiro, para executar o projeto, e o conjunto de obras provenientes da chamada “coleção SEC” está em reserva no Museu da Cidade, ao abrigo de um protocolo renovável em 2016.

A falta de pagamento da dívida da Câmara à Refer impediu a autarquia de tomar posse da antiga estação de comboios e a falta de recursos financeiros fez adiar o projeto.

A origem das obras de arte é a mesma do núcleo da Fundação de Serralves, cujo presidente, Luís Braga da Cruz, discordou da concentração desse espólio em Lisboa, a pretexto da exposição “Narrativa de uma coleção-Arte portuguesa na Coleção SEC (1960-1990)”, a inaugurar na próxima semana, como defendia David dos Santos.

Serralves, porém, tem um protocolo de cedência até 2027, automaticamente “renovável por períodos de cinco anos”, enquanto o de Aveiro só vigora até ao próximo ano.

“Espero que Aveiro defenda o que tem cá. Temos duas peças muito boas do Julião Sarmento, uma têmpera da Maria Helena Viera da Silva que se chama ‘Árvore da Liberdade’, e que o Museu Arpad Szénes – Vieira da Silva reclama também, peças fantásticas de outros artistas portugueses, como Cândido Costa Pinto, Carlos Botelho, Carlos Calvet e Catarina Baleiras. Temos cá muita coisa boa”, diz Maria da Luz.

A antiga vereadora explica como esse conjunto chegou a Aveiro, escolhido por ela própria, entre as reservas guardadas no Palácio Foz, no Palácio da Ajuda e noutros locais: “Manifestei o interesse de Aveiro ter também o seu núcleo de arte contemporânea. Foi feito o protocolo e fui lá escolher”.

A coleção de arte do Estado resulta da política de aquisições, para apoiar e promover as artes visuais. Remonta à iniciativa de António Ferro, durante o Estado Novo, no âmbito do antigo Secretariado da Propaganda Nacional, depois Secretariado Nacional de Informação, que viria a ser retomada depois do 25 de Abril.

O núcleo mais determinante, porém, foi iniciado em 1976, pelo artista Fernando Calhau, que viria a dirigir o antigo Instituto de Arte Contemporânea, como o atual diretor-geral do Património Cultural, Nuno Vassallo e Silva, destacou à agência Lusa. A chamada coleção da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) agrega assim as várias aquisições artísticas feitas pelo Estado.

O Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, o Museu de Serralves, com cerca de 550 peças, e a Câmara de Aveiro, com cerca de uma centena, são as entidades que têm à sua guarda a maior parte das obras desse acervo.

Outras foram colocadas em gabinetes de ministros, antigos governos civis e delegações regionais, mas também em embaixadas, nomeadamente em Londres, Pequim e Luxemburgo, como forma de promover a divulgação da arte portuguesa, como recordou à Lusa Maria da Luz Nolasco.

No caso de Serralves, o protocolo assinado em 1997, entre a Fundação e o Ministério da Cultura, estabelece que a sua intervenção, se “deverá centrar no período a partir da década de [19]60” e que “o Museu do Chiado abarcará a arte portuguesa dos finais do século XIX até à década de 60”.

Maria da Luz Nolasco não acredita que Serralves se disponha a abdicar desse núcleo e, em seu entender, Aveiro deve fazer o mesmo.

Diário Digital com Lusa

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2 comentários

  1. […] e organismos públicos – Chiado e Serralves, mas também o Centro Português de Fotografia e a Câmara Municipal de Aveiro, embaixadas e gabinetes. Um conjunto total até hoje mal estudado e deficitariamente inventariado, […]

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