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Rosto da fadista Amália Rodrigues feito em calçada portuguesa é hoje desvendado


Uma “Calçada” para Amália

Rosto da fadista Amália Rodrigues feito em calçada portuguesa é hoje desvendado na Rua de São Tomé, em Lisboa. 

O artista Alexandre Farto, que assina como Vhils, criou o rosto de Amália Rodrigues em calçada portuguesa, em colaboração com calceteiros da Câmara de Lisboa. A obra “Calçada” vai ser desvendada hoje, na Rua de São Tomé, ao final da tarde.

Convidado pela Universal France a dirigir um disco de homenagem a Amália Rodrigues, o realizador Ruben Alves (de A Gaiola Dourada) juntou algumas das maiores vozes do fado contemporâneo (Ana Moura, Carminho, António Zambujo, Camané, Gisela João e Ricardo Ribeiro) para cantar o reportório amaliano, conta também com as participações de Caetano Veloso, Mayra Andrade, Bonga e Celeste Rodrigues, irmã de Amália. A também fadista fez questão de estar presente em Alfama para ver o “momento bonito”, disse.
Para a capa de Amália, as Vozes do Fado, com lançamento a 17 de Julho, ao pensar no fado como música urbana, pertencente às ruas, emanada do povo, lembrou-se de pedir ao street artist Vhils (Alexandre Farto) que, em colaboração com os calceteiros da Câmara Municipal e da Escola de Calceteiros de Lisboa, criasse uma efígie de Amália feita em calçada portuguesa e a obra nasceu, entre o chão e a parede da praça anónima onde existem dois bancos e uma árvore. É aquela imagem que vai estar no novo disco.

Segundo o artista, a obra, que teve «dois a três meses de preparação mais quatro semanas de trabalho com os calceteiros» da Câmara e da Escola de Calceteiros de Lisboa, é a primeira de Vhils em calçada portuguesa.”Ele aceitou logo o desafio e foi mais longe do que a minha proposta, sugerindo que o rosto fosse feito em calçada portuguesa”, contou Ruben Alves

Instalada numa zona emblemática de Alfama, a peça passará assim a fazer parte da paisagem de Lisboa, honrando um vulto incontornável da cultura portuguesa contemporânea e expoente desse Património Imaterial da Humanidade que é o fado.

Alexandre Farto ou Vhils escolheu trabalhar com este material, “muito importante para a história de Lisboa”, para “valorizar o lado artístico da calçada portuguesa e os calceteiros”. “A ideia era mais fazer uma colaboração com os calceteiros do que ter uma obra minha, misturando duas linguagens e fazendo um paralelismo com a arte pública mais antiga da cidade”, disse.

Para Vhils, é-lhe cara a remissão para o graffiti emblemático do Maio de 68 “sous les páves, la plage” (sob a calçada, a praia), um dos momentos fundadores da street art.

Apesar de serem calçada portuguesa, o retrato «aparece como uma onda do mar que [começa no chão e] sobe a parede», explica Vhils, acrescentando: assim, quando chover, «faz chorar as pedras da calçada”, havendo uma ligação ao fado.

“A parede é importante porque transpira todas as nossas memórias e guarda a emoção do fado cantado na rua”, justificou Ruben Alves.

A imagem de Amália, passará a habitar a partir de hoje á tarde no bairro de Alfama depois de inaugurada às 18h30 pela vereadora da Cultura Catarina Vaz Pinto e com a presença de jornalistas nacionais e estrangeiros.

Será ainda apresentado o disco Amália, As Vozes do Fado, Com direção artística de Ruben Alves.

Dia da inauguração:

Dois funcionários da freguesia de Santa Maria Maior varriam sem parar as poucas folhas que caíam na pequena praça sem nome, que fica entre a Rua de São Tomé e a Calçada do Menino de Deus, na mui lisboeta Alfama. As pessoas iam-se amontoando junto ao grande pano preto que cobria o segredo, desvendado finalmente às 18h30 desta quinta-feira: o rosto de Amália Rodrigues, trabalhado pelo artista urbano Vhils e a Escola de Calceteiros da Câmara Municipal de Lisboa, mora agora num pedaço de calçada portuguesa. A próxima homenagem pode passar por batizar a praça com o nome da fadista portuguesa.

“Vamos já propor à Câmara [Municipal de Lisboa] que está seja a praça Amália Rodrigues”, disse o presidente da freguesia de Santa Maria Maior, perante o autarca Fernando Medina. Quando chegou a vez de Medina discursar, não ignorou o desafio. “Esta obra é mais uma homenagem a Amália. E levo bem a sugestão em relação ao nome da Praça”.

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Celeste Rodrigues ao lado do presidente da Câmara, Fernando Medina

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