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Último livro de Herberto Helder é publicado sexta-feira


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Fotografia © Arquivo Global Imagens

“Poemas canhotos” ficou terminado pouco antes da morte do poeta, em março.

Poemas canhotos, o último livro de Herberto Helder, autor falecido em março passado, é publicado na próxima sexta-feira, anunciou hoje a Porto Editora, que chancela a obra.

Em comunicado, a editora afirma tratar-se do “último livro de poemas inéditos” de Herberto Helder, que “o terminou pouco antes de morrer”, a 23 de março último, aos 84 anos.

“Esta edição inclui uma bibliografia completa dos livros publicados pelo autor, cuidadosamente preparada por Luis Manuel Gaspar”, afirma a editora, acrescentando que, “de acordo com a vontade de Herberto Helder, ‘Poemas Canhotos’ terá uma edição de tiragem única”.

Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira nasceu a 23 de novembro de 1930, no Funchal, e é considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa.

“A Morte sem mestre” foi o último livro publicado em vida pelo poeta, já com a chancela da Porto Editora, em junho de 2014.

Herberto Helder estreou-se literariamente em 1958, com a obra “O Amor em visita”, à qual se seguiram os títulos “A colher na boca”, “Poemacto” e “Lugar”, editados nos princípios da década de 1960.

O poeta madeirense começou a trabalhar para a Emissora Nacional como redator do noticiário internacional e publicou, entretanto, “Os passos em Volta”, obra reeditada pela Porto Editora em janeiro último.

Em 1968, envolveu-se na publicação de “Filosofia na Alcova”, do Marquês de Sade, que desencadeou um processo judicial no qual foi condenado, com pena suspensa, o que não impediu que fosse despedido da rádio oficial.

Neste mesmo ano publicou “Apresentação do Rosto”, uma autobiografia, livro que foi apreendido pela Censura.

Em 1969 tornou-se diretor literário da Editorial Estampa, onde começou a publicar a obra completa de Almada Negreiros.

Depois de ter trabalhado como repórter de guerra em Angola, partiu para os Estados Unidos, em 1973, ano em que publicou “Poesia Toda”, reunindo a sua produção poética até então, e fez uma tentativa falhada de publicar “Prosa Toda”.

A Portugal, voltou só depois do 25 de Abril, já em 1975, para trabalhar na rádio e em revistas, como meio de sobrevivência, tendo sido editor da revista literária Nova, de que se publicaram apenas dois números.

Depois de publicar, nos anos seguintes, mais algumas obras, entre as quais “Cobra” (1977), “O Corpo, o Luxo, a Obra” (1978) e “Photomaton & Vox” (1979), remeteu-se ao silêncio.

Em 1977 enviou uma carta à revista Abril, endereçada a Eduardo Prado Coelho, na qual sobre si escreveu: “O que é citável de um livro, de um autor? Decerto a sua morte pode ser citável. E, sobretudo, o seu silêncio”.

Em 2008 publicou “A faca não corta o fogo — Súmula & Inédita”, sucedendo-se no ano seguinte “Ofício Cantante”.

Herberto Helder, refere a Porto Editora, é um “poeta maior que ficará entre a meia dúzia de nomes incontornáveis da poesia portuguesa do século XX”.

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