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Documentário José e Pilarinspira a pintura de um mural perto da Casa dos Bicos


Via    Cláudia Sobral

No primeiro dia escreveram-se todas as palavras Fabio Teixeira

Citações e imagens do filme de Miguel Gonçalves Mendes são transformadas em arte urbana por quatro writers lisboetas. O trabalho fica pronto amanhã

Pariz pinta o fim de uma palavra, desce do escadote, move-o uns centímetros para a direita. Surge outra letra e outra, mais uma palavra. Volta a subir para completar a frase que vai saindo da lata de spray. “O caos é uma ordem por decifrar”, lê-se por fim. Quem o disse foi Saramago e tudo isto é o documentário José e Pilar posto numa parede de um edifício desocupado no Campo das Cebolas, em Lisboa.

Na quinta-feira aquele artista urbano pintou citações de José Saramago e de Pilar del Río – as possíveis das 17 retiradas do filme – e entre hoje e amanhã Nark, Nomen e A yer (nomes artísticos dos writers) reproduzem na velha fachada cor-de-rosa dos números 2 a 8 da rua do Instituto Virgílio Machado três imagens do documentário: duas dos protagonistas e outra do poster. Amanhã estará no local a equipa quase completa, incluindo o realizador do documentário, Miguel Gonçalves Mendes, de quem partiu esta ideia.

“Nós achávamos que havia frases muito emblemáticas [no filme] e que era útil partilhá-las de outra forma”, diz o realizador. Era também, acrescenta, “uma forma de homenagear Saramago e o facto de o local autorizado pela Câmara de Lisboa ser perto da Casa dos Bicos [onde ficará instalada a Fundação José Saramago] faz com que a homenagem seja ainda maior.”

E se a ideia inicial era gravar numa parede apenas citações do escritor e de Pilar, depressa se passou para as imagens. Essas começam hoje a ganhar forma e terão cada uma o seu estilo – é uma imagem para cada artista. E ao cor-de-rosa e branco de há dois dias juntar-se-ão “umas 200 cores”, adiantou Ivan Oliveira Roque, da Dedicated Store, parceira do projecto.

O resultado, acredita o realizador de José e Pilar, é um mural que “obriga as pessoas que passam por ali a pensar” e faz questão de frisar que o escritor deu um “grande contributo para a discussão pública” e que isso deve ser encarado como a verdadeira “mais-valia do trabalho dele”.

“As frases daquela parede são sobretudo frases de alerta, que nos fazem pensar”, considera Gonçalves Mendes. Uma delas é de Pilar del Río: “Mais vale fazer asneira e avançarmos do que não fazer nada.”

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1 Comentário

  1. […] através da sua Galeria de Arte Urbana (GAU). Pouco antes da inauguração no final de 2010, Miguel Gonçalves Mendes dizia  que o mural obrigaria “as pessoas que passam por ali a pensar”, sendo aquela “uma forma de […]

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